A PAIXÃO COTIDIANA DA FÉ
“É um sentimento que você
não consegue explicar. Quando ainda era do coral, já observava e aquilo me
cativava muito. Me chamou muito a atenção e pensei que precisava participar. No
ano passado tive de sair do grupo, porque entramos muito novos e a vida fica
voltada para a Igreja. Depois de um tempo você começa a trabalhar e estudar e o
tempo fica curto. Ser coroinha exige muito da pessoa. São dias, horas que você
vai passar. E tem que haver a dedicação também, porque não pode ser feito de
qualquer maneira. Não pode pensar ‘vou ter que fazer isso todos os dias’. É o
amor, a paixão, e você não está fazendo para si mesmo. É para Deus. O que me
motiva é Deus”.
É assim, emocionada, que a
jovem estudante Paloma Rosa, 25, justifica um cotidiano singular: há 13 anos
ela faz parte do grupo de coroinhas São João Paulo II, da Paróquia Menino Deus,
em Marituba.
O sentimento de Paloma acaba
sendo o mesmo compartilhado por todos os 22 coroinhas da paróquia, entre
crianças e jovens na faixa etária dos nove aos 27 anos. Para os componentes do
grupo que já são veteranos, como Paloma, não existe um requisito obrigatório
para ser um “servidor do altar”. Contudo, ter vocação e executar as atividades
com responsabilidade e amor à obra são essenciais.
Incumbidos de uma das
tarefas mais importantes e belas que é zelar e deixar tudo pronto e organizado
para as celebrações litúrgicas da igreja, os chamados ‘servidores do altar’
recebem ensinamentos ao passarem pela Escola Arquidiocesana dos Servidores do
Altar, que promove a formação dos coroinhas por um ano.
“Aprendemos como cada
paróquia se comporta dentro do seu grupo e também sobre o rito da missa, como
leituras, aclamação ao evangelho, salmos. Aprendemos a nos comportar dentro e
fora da igreja e também como deve ser a nossa conivência em grupo. Tudo isso é
voltado para termos uma formação profunda durante esse ano que passamos lá”,
explica Paloma.
A estudante conta que a
experiência e conhecimento adquiridos pelos integrantes mais antigos são
passados para aqueles que estão entrando.
“Já chamei muita gente
para entrar no grupo. Tento dar conselhos, dizer que ‘não, não é por esse
caminho’. Dar um incentivo, uma orientação para a pessoa não desistir no
primeiro obstáculo, porque muita gente fica nervosa. Já imaginou ver a
assembleia lotada? Então sempre digo que o nosso encontro é com Deus. Nós
costumamos dizer que é mais que amizade. Somos uma família. A minha segunda
família encontrei nos coroinhas. Todos que entram e os que saem sempre deixam
algo que a gente aprende. Tudo é novo, sempre fica muito marcado e a amizade
permanece”, sorri.
DEDICAÇÃO
Os “servidores do altar”
seguem uma rotina intensa de tarefas durante a semana. Eles precisam estar na
igreja todas as terças, quartas, quintas, sextas-feiras e aos domingos.
Para isso, os 22
integrantes do grupo São João Paulo II se dividem em escalas para participarem
das missas que ocorrem nesses dias sempre às 6h30, 8h30 e às 18h.
Aos domingos ocorrem
reuniões às 10h. Já as celebrações da Semana Santa começam no domingo anterior
ao de Páscoa, com a Missa de Ramos. Na terça-feira da mesma semana são
realizadas missas nos horários normais e novena.
Na quarta-feira também são
realizadas as missas nos três horários e, na quinta-feira, ocorre a Santa Ceia
do Senhor e Lava Pés. Na sexta-feira, a missa lembra a morte de Cristo.
No sábado, a ressurreição
e Vigília Pascal e hoje, domingo, é celebrada a Páscoa do Senhor. É quando
ocorre também a Procissão do Cristo Ressuscitado.
Não somente preparar tudo
para as missas e ajudar o padre no que ele precisar, os coroinhas também
cumprem o papel de auxiliar as pessoas que adentram à igreja, informando sobre
as programações e qualquer dúvida que surgir.
Há um ano e três meses
fazendo parte do grupo, o estudante de 15 anos Mayco Renato Amaral ainda é considerado
“novato”. Ele que já tem um irmão coroinha, Marcos Amaral, 17, conta que a
família os apoia.
Alguns amigos que estão de
fora muitas vezes não entendem quando ele recusa um convite por ter o
compromisso com a igreja.
“Participava do grupo dos
guardas-mirins, onde fiquei por quatro anos, e lá amadureci muito. Eu já tinha
uma vontade de participar do grupo dos coroinhas. O amor que eu sinto pelo
grupo é algo muito bom. Quando chego aqui pela manhã, é uma alegria ver meus
amigos. Gosto muito do nosso pároco, o padre Plínio. Ele nos ensina bastante”.
Mayco conta que ser
coroinha é uma vocação. “Eu esperei quatro anos para ser coroinha. Eu estudo.
Agora estou de manhã. Então às vezes acabo não vindo. Sábado faço o EASA
[Escola Arquidiocesana]. Já passei por tudo: batismo, fiz a 1º eucaristia,
perseverança e agora crisma. Quando eu tiver mais idade quero ser diácono
permanente e alguns querem ser padres e freiras. Minha avó, por quem fui
criado, sempre me acompanha. O que gosto mais é de limpar o material litúrgico,
porque quando estamos na missa podemos apreciar e ver o trabalho que fizemos.
Alguns dos meus amigos não compreendem. Eu convido bastante. Alguns me apelidam
de padre, papa hóstia, mas a gente leva tudo na esportiva”, conta.
Fonte/Foto:
diarioonline.com.br/Elcimar Neves

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