DESENVOLVIMENTO LOCAL É PAUTA DE SEMINÁRIO EM BELÉM



Entre as sugestões, especialistas foram unânimes em dizer: é preciso investir em políticas públicas e planejar as ações para se ter um bom futuro
O Brasil é um país com 80% de sua população vivendo em cidades. Esse cenário impõe novos desafios a serem enfrentados nas regiões metropolitanas, como mobilidade, segurança pública, habitação e desenvolvimento local. Para discutir esses desafios e debater políticas públicas para solucionar os principais dilemas nas grandes metrópoles, a revista CartaCapital e o Instituto Envolverde realizaram, nesta terça-feira (09),  o seminário da série Diálogos Capitais Metrópoles Brasileiras, sob o tema “Geração de Renda e Desenvolvimento Local”. O encontro teve a participação do prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho, do secretário Executivo da Rede Nossa Belém, José Francisco Ramos, do diretor do Instituto Peabiru, João Meirelles, do diretor de Energia e Institucional da Vale, no Pará, João Coral, da diretora do Centro Sebrae de Sustentabilidade, Suênia de Souza e do colunista da CartaCapital e diretor do Envolverde, jornalista Dal Marcondes.
Para o prefeito Zenaldo Coutinho, o seminário promoveu uma série de reflexões, oferecendo, inclusive, propostas para garantir o desenvolvimento da cidade. “E o mais importante foi levar, em nível nacional, os grandes dilemas que a Amazônia vive, principalmente o Pará, como a questão tributária. O estado é o grande produtor de minérios no Brasil, contribuindo muito para a balança comercial brasileira e não há impostos sobre a mineração. São distorções do sistema tributário nacional que agravam, profundamente, as condições de vida na região”, ressaltou o gestor.
O prefeito destacou a importância de políticas públicas de desenvolvimento local, a superação de desafios como a atração do turismo e a possibilidade de ampliar instituições de ensino para a promoção de cursos de qualificação. “Acredito que Belém tem a capacidade de ser exportadora de mão de obra qualificada para outras regiões do Estado, em especial para os grandes projetos minerais”, pontuou.
A ideia da série Diálogos Capitais surgiu da necessidade da discussão de políticas públicas relacionadas ao desenvolvimento urbano no Brasil. Este ano, o seminário passou pelas cidades de São Paulo, Belo Horizonte, Recife e Porto Alegre, fazendo a última parada em Belém. “Belém não poderia ter ficado de fora das discussões, pois é uma das principais capitais da Amazônia e porta de entrada da Amazônia Brasileira, além de ser uma metrópole com os dilemas das grandes cidades”, afirmou Dal Marcondes.
José Francisco Ramos, secretário Executivo da Rede Nossa Belém, comentou que é preciso definir as áreas prioritárias e se planejar a verticalização nas áreas que de fato vão agregar valor e gerar emprego e renda para o estado. “O Pará importa 85% do que consome. Isso nos impressiona porque o estado é produtor nacional, por exemplo, de mandioca e, contudo, produz pouquíssima fécula. Qual é o nosso negócio? É hora de pensar e redefinir as áreas estratégicas de desenvolvimento e ter, acima de tudo, a participação da sociedade nesse processo”, ressaltou.
No debate sobre “Geração de Renda e Desenvolvimento Local”, os participantes foram unânimes sobre importância de se ter um ambiente regulatório e políticas públicas regulamentadas para incentivar pequenos negócios e valorizar as comunidades tradicionais. “Há 10,5 milhões de pequenos negócios no Brasil, o que representa 99% da atividade econômica no país. Por isso é preciso políticas públicas mais bem definidas. Além disso, as grandes empresas precisam fomentar esses pequenos negócios”, avaliou Suênia de Souza, diretora do Centro Sebrae de Sustentabilidade.
O debate deixou uma provocação no ar: diante do cenário, o que se pode esperar para o futuro? Para Dal Marcondes o futuro não é uma coisa aleatória e a sociedade brasileira precisa planejar e dizer o que quer do futuro. “O futuro precisa ser um bom lugar para se viver. O Brasil precisa ter um olhar mais planejado sobre o que quer dessa região, o que a sociedade brasileira precisa da Amazônia e o que a Amazônia precisa da sociedade brasileira. É um caminho de mão dupla. A Amazônia presta inúmeros serviços ambientais para a humanidade, no entanto precisa fazer com que a sua população tenha qualidade de vida. Precisamos equilibrar isso e só podemos conseguir esse equilíbrio com planejamento”, concluiu.
Fonte/Fotos: Fabiana Gomes – Temple Comunicação/Tarso Sarraf

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