ACONTECEU: ÍNDIOS INVADIRAM SEDE DA JUSTIÇA FEDERAL EM SANTARÉM-PA
Lideranças não se conformam com sentença que declarou
inexistência de Terra Indígena Maró
Inconformados com a
sentença proferida na semana passada, pelo juiz federal José Airton Portela, da
2ª Vara da Subseção do Município, que declarou inexistente a Terra Indígena
Maró, abrangida parcialmente pela Gleba Nova Olinda, na região do rio Arapiuns,
lideranças realizaram um protesto na manhã desta terça-feira, 09, em frente à
sede da Justiça Federal, na Avenida Marechal Rondon, em Santarém, Oeste do
Pará.
Durante o protesto, as
lideranças queimaram a sentença assinada pelo Juiz. Segundo os lideres do
movimento, o ato se consolidou como um gesto de repúdio ao magistrado.
No documento de 106
laudas, o juiz federal Airton Portela, concluiu que a área que abrange a terra
supostamente habitada pela tribo Borari-Arapium, é formada por populações
tradicionais ribeirinhas, e não por índios. Em sua decisão o Juiz Federal
declarou que não existe indígenas na Gleba Nova Olinda, mas ribeirinhos.
A decisão foi tomada após
análise de informações extraídas principalmente de relatório antropológico de
identificação, produzido pela própria Fundação Nacional do Índio (Funai). A
Justiça negou qualquer validade jurídica ao relatório que identificou e
delimitou a área de 42 mil hectares (equivalente a 42 mil campos de futebol),
como sendo área onde vivem índios da etnia Borari-Arapium.
O Juiz aponta contradições
e omissões nos laudos da Funai. Ele sustenta que antropólogos e organizações
não-governamentais induziram parte das populações tradicionais da área a pedir
o reconhecimento formal de que pertenceriam a grupos indígenas.
Ao declarar a terra
indígena inexistente, o Juiz também ordenou que a União e a Funai se abstenham
de praticar quaisquer atos que declarem os limites da terra indígena e adotar
todos os procedimentos no sentido de demarcá-la.
O coordenador do
movimento, Poró Borari, declarou que o objetivo do protesto foi mostrar que a
sentença judicial é inconstitucional, racista e preconceituosa, repassada para
a região Oeste do Pará. “A queima da sentença foi para alertar a sociedade para
que não compactue com essa ideologia”, disse Poró Borari.
O professor da
Universidade Federal do Oeste do Pará (Ufopa), Valdomiro Sousa, destacou que
também é contra a decisão do magistrado. Ele contou que estudantes foram
selecionados pelo sistema de cotas
especiais e, que esteve
presente para se solidarizar com os estudantes indígenas e povos indígenas da
região.
O professor afirmou,
ainda, que a decisão do Juiz negou os povos indígenas e que eles se
manifestaram para negar quem tentou negá-los.
Em referência ao juiz
Airton Portela, Valdomiro Sousa disse que “A pessoa que reconhece a diversidade
cultural, o pluralismo político e que se afirma como Estado democrático,
transforma a própria vontade em lei para negar a existência de brasileiros que
querem viver com dignidade e que tem orgulho do seu modo de vida”.
A decisão do magistrado
juiz Airton Portela foi assinada no dia 26 de novembro, e publicada no dia 03,
deste mês.
Uma parte dos indígenas
está acampada dentro do pátio da Justiça Federal e uma outra turma está
acampada na calçada em frente à sede do órgão Federal.
Fonte/Foto: RG 15 - O Impacto/Blog do Jeso


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