SERRA PELADA: CLIMA ENTRE GARIMPEIROS É DE MEDO
Os garimpeiros de Serra
Pelada temem que, a qualquer momento, ocorra um banho de sangue naquele que já
foi o maior garimpo a céu aberto do mundo.
Apesar de o Ministério
Público e a Justiça terem aberto processo para apurar desvio de recursos da
Cooperativa de Mineração dos Garimpeiros de Serra Pelada (Coomigasp) e ter sido
realizada recentemente uma nova eleição para o comando da entidade, o principal
problema que aflige os garimpeiros é o abandono da mina e de toda a estrutura
montada pela mineradora canadense Colossus, que faliu e desapareceu de
Curionópolis.
Depois disso, o clima
ficou pesado na região e ninguém confia mais em ninguém. Os governos federal e
estadual são acusados pelos garimpeiros de lavarem as mãos para o que de pior
possa ocorrer em Serra Pelada.
“Estamos entrando em
desespero e com muito medo. As instalações da mina de ouro já foram saqueadas,
estão roubando tudo, e nenhuma autoridade dá qualquer garantia para
tranquilizar os garimpeiros de que a extração de ouro ainda pode ser feita com
total segurança”, declarou Paulo Gomes, ligado à União Nacional dos
Garimpeiros. Ele veio a Belém pedir a ajuda da Ordem dos Advogados do Brasil no
Pará (OAB-PA) para que interfira junto às autoridades em busca de uma solução
para tantos problemas que se avolumam no garimpo.
Em entrevista ao Diário,
Gomes informou que sua audiência na OAB não foi bem sucedida. “Estive na
comissão de direitos humanos da Ordem, mas lá me disseram que eu devia
encaminhar as reivindicações dos garimpeiros diretamente à sede da OAB de
Marabá. Ora, já fizemos isso e a OAB de lá nada fez, pelo contrário, engaveta
nossas denúncias”, desabafou. Para Gomes, o Tribunal de Justiça precisa também
chamar para si as demandas judiciais do garimpo, porque só dessa forma haverá
celeridade nos processos.
“Já cansamos de falar sem
que ninguém nos ouça. Serra Pelada está pegando fogo, mas as autoridades
paraenses não tomam providências que dê alguma tranquilidade para os milhares
de moradores da região”, declarou ele, acrescentando que a Colossus foi embora,
demitiu 400 empregados e retirou até os vigias, desde o final de outubro
passado.
Segundo Gomes, o governo
paraense não pode ignorar o grave problema social que representa o impasse
vivido pelos garimpeiros diante do abandono de um projeto que segundo a própria
Colossus já teve investidos mais de R$ 400 milhões.
“A OAB deveria encampar
essa luta e ainda tenho esperança de que isso ocorra, porque em Serra Pelada já
ocorreram assassinatos, roubos, saques de equipamentos da mina, além da
contaminação que afeta a vida das pessoas”, criticou, lembrando que no povoado
há pessoas que sofrem de doenças como hanseníase e outras enfermidades oriundas
das péssimas condições de vida.
Ele também não poupa de
críticas ao ministro Edison Lobão, afirmando que nada foi feito para resolver o
problema da extração de ouro, após a falência da Colossus. E diz que a
estrutura física de acesso à mina de ouro corre o risco de desabar por falta de
manutenção e bombeamento da água que se acumula na cava com mais de 200 metros
de profundidade.
Em resumo: o caos se
instalou na área e o pavio do barril de pólvora foi acesso, podendo explodir se
não houver uma ação preventiva dos governos estadual e federal. O presidente
eleito da Coomigasp, Edinaldo de Aguiar Soares, também já reclamou da forma
como a Colossus saiu do garimpo, deixando nas mãos da cooperativa a
responsabilidade de vigiar as instalações de acesso à mina para evitar a ação
de ladrões.
POLÍCIA
A Coomigasp chegou a
registrar na polícia um boletim de ocorrência sobre o que já foi roubado do
local. Carros e pessoas suspeitas rondam diariamente as instalações, deixando
os associados temerosos de novos saques.
Parte do que foi retirado
foi levado por empresas contratadas pela Colossus em represália por não terem
recebido o pagamento pelos serviços prestados. A entidade dos garimpeiros
publicou em sua página na Internet que equipamentos foram retirados em
caminhões e levados para Marabá, Araguaína e Parauapebas.
Até em quintais das
residências de alguns funcionários da Colossus foram localizados bens. Grupos
de vândalos também depredaram equipamentos antes de retirar do local centrais
de ar condicionado, televisões, camas, sofás e colchões.
O Diário tentou falar com
algum diretor da Colossus, mas a informação em Curionópolis é de que a empresa
desativou definitivamente seu escritório na região. Em Belo Horizonte (MG),
sede da empresa, os telefones estavam mudos. O presidente da OAB no Pará,
Jarbas Vasconcelos, não foi localizado para comentar as declarações de Paulo
Gomes.
Fonte: Diário
do Pará

Nenhum comentário:
Postar um comentário