DENÚNCIA: NO AM, INDÍGENAS VIVEM EM GARAGEM ABANDONADA DA FUNAI HÁ MAIS DE TRÊS ANOS, SEM SERVIÇOS BÁSICOS
Nove famílias das etnias Tikuna e Kokama ocupam o
terreno desde abril de 2011, e a principal preocupação é a falta de saneamento
básico para os índios
Manaus: Nove famílias
indígenas, das etnias Tikuna e Kokama, convivem há pelo menos três anos com
ratos e baratas em pequenos barracos, dentro de uma garagem abandonada da
Fundação Nacional do Índio (Funai), na rua 24 de Maio, Centro. O local não
possui saneamento básico e as condições precárias contribuem para a disseminação
de doenças infecto-contagiosas.
A pedido da Defensoria
Pública da União (DPU) do Amazonas, o
Tribunal Regional da 1ª Região (TRF1) determinou que a Funai
providenciasse, em julho deste ano, locais adequados para abrigar os índios. No
entanto, quase cinco meses depois a decisão liminar não foi atendida pela
Funai.
O defensor público federal
responsável pelo caso, Edilson Santana
informou que o DPU pediu a fixação de multa de R$ 10 mil por dia de
descumprimento da decisão. “Vai completar mais de 3 anos que esses índios vivem
de forma insalubre e penosa. Além do
descaso na esfera da própria decisão judicial, também ocorre o descaso com a
Defensoria Pública e principalmente com essas famílias”, comentou.
Os indígenas passaram a
ocupar o terreno em abril de 2011, com autorização do então coordenador
regional da Fundação, Odiney Rodrigues. Eles foram retirados de Tabatinga
(distante 1.108 quilômetros de Manaus), em razão de conflitos fundiários. Cerca
de 80 pessoas, sendo 26 crianças, ocupam o local.
Esquecidos
A kokama Adriana Souza,
27, diz viver em um “verdadeiro inferno”. Seu filho, de 6 anos, teve febre e
diarreia duas vezes neste mês. “Vamos ao médico e todos dizem que o motivo é o
ambiente onde vivemos. Dormimos com
ratos e baratas todos os dias”, lamentou.
Os relatos de crianças e
adultos que foram mordidos por ratos são comuns. Os dois filhos do kokama
Eliomar Benedito, 24, tiveram rotavírus por causa do contato com baratas.
“Minha filha de 1 ano e meu filho de 2 adoeceram gravemente neste ano. É muito triste viver desta
maneira”, lamentou. As crianças tomam banho em um girau improvisado. As nove
famílias dividem um único banheiro para fazer as necessidades fisiológicas.
Funai diz ter conhecimento
Por meio da assessoria de
comunicação a Funai informou ter conhecimento da situação insalubre que vivem
os indígenas e salientou que a decisão equivocada de abrigar as famílias na
garagem foi tomada por uma antiga
gestão regional, em 2011.
A Funai ressaltou que não
possui política habitacional e não acomoda indígenas em prédios regionais. Segundo o órgão, as nove famílias
estão cadastradas no Sistema de Habitação,
da Superintendência de Habitação do Amazonas (Suhab). Uma audiência
com os indígenas e a Fundação foi
designada para o dia 20 de janeiro de 2015.
Ainda em nota, o órgão
garantiu que uma reunião com o atual governador do Estado, José Melo, foi
marcada para solicitar urgência na liberação das moradias para os indígenas.
Porém, nenhuma previsão para a retirada das nove famílias de Kokama e Tikunas
do local foi informada.
Tradição Indígena
Gracilene Aparício, 50,
improvisou uma horta de plantas medicinais, na carroceria de um carro
abandonado. Babosa, hortelã, capim-santo, boldo roxo e dedo-de-adão são
utilizados pela matriarca para curar
adultos e crianças Ela conta que as receitas são repassadas a cada geração.
Fonte/Fotos: Luana
Carvalho - acrítica.uol.com.br/Antonio Menezes



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