AUDIÊNCIA TENTA RESOLVER IMPASSE EM BELO MONTE
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As cerca de 9 mil famílias
atingidas com a construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará,
ouviram do Poder Público e da empresa responsável pela obra que vão mudar a
forma de lidar com a realocação e reassentamento nas áreas afetadas.
Em audiência pública feita
hoje (12) em Altamira (PA), moradores relataram seus dramas para várias
entidades públicas e privadas.
Foi decidido que uma
câmara de conciliação inter institucional será criada para resolver os casos em
que a empresa Norte Energia S.A, responsável pela obra, e as famílias não
cheguem a um acordo.
Segundo o Ministério
Público Federal (MPF), a última palavra terminava sendo da Norte Energia. Os
movimentos sociais envolvidos nas realocações de famílias devem apresentar uma
lista dos conflitos já existentes em negociações entre empresa e moradores. A
ideia é revisar os casos rapidamente.
A Defensoria Pública da
União (DPU) vai passar a dar assistência jurídicas aos moradores nas disputas
judiciais que envolvem os advogados da empresa. O representante da DPU,
Francisco Nóbrega, informou que os defensores chegarão em Altamira ainda este
ano.
Outra novidade será a
flexibilização das negociações. A partir de agora, cada caso deverá ser
analisado em seu contexto específico. Um exemplo são moradores de reservas
extrativistas e terras indígenas que mantém casas na periferia de Altamira para
terem acesso a serviços básicos, como saúde e educação.
“Esse morador que mantém
uma casa em Altamira, mas não ocupa a casa o ano inteiro é uma realidade da
região, ele não pode ser tratado, como está sendo, da mesma forma que um especulador.
É necessário revisar e contextualizar as regras aplicadas pelo empreendedor
para a realidade da região”, explicou a procuradora da República, Thais Santi.
A construção da Usina de
Belo Monte e a remoção de moradores dos locais afetados resultam em histórias
relatadas durante a audiência pública. Uma delas é de dona Maria dos Santos, de
80 anos.
Analfabeta, ela disse ter
sido obrigada a assinar um papel em branco aceitando uma indenização de R$ 42
mil. Elissandra Oliveira, por sua vez, chegou a participar, no final de 2013,
de um comercial da Norte Energia em sua suposta casa nova no Bairro Jatobá,
criado para receber essas famílias. Elissandra até hoje não recebeu a casa para
morar.
Fonte/Foto:
Agência Brasil/Rogério Uchôa


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