DESAFIO: NO AM, CANDIDATOS USAM HIDROAVIÕES, BARCOS E LANCHAS PARA ALCANÇAR INTERIOR
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| Candidato Eduardo Braga |
Enquanto o governador do
Amazonas, José Melo (Pros), desce de hidroavião no rio Juruá para visitar
comunidades distantes, seu principal adversário na disputa pela reeleição, o
senador Eduardo Braga (PMDB), conversa com índios, de pé em uma lancha no meio
do rio Solimões, cercado de outras embarcações.
A campanha eleitoral no
Estado mais extenso do país vai muito além dos comícios, carreatas e caminhadas
de rua.
Percorrer em pouco tempo
os 62 municípios espalhados por 1,5 milhão de km² de florestas e rios sinuosos
exige altos gastos com vários tipos de veículo, além de improvisos e maratonas
–como visitar nove cidades e três comunidades num fim de semana.
Apesar dos esforços de
campanha concentrados em Manaus, o interior representa 44% do eleitorado e é
invadido por caravanas dos principais candidatos em jatinhos, hidroaviões,
barcos e lanchas, misturando a propaganda eleitoral à paisagem verde da
Amazônia.
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| Candidato José Melo |
"O grande desafio é
levar a campanha, em tempo hábil, a comunidades e cidades tão distantes e
isolados", diz Gutemberg Alencar, responsável pela logística de Braga,
líder na última pesquisa Ibope, com 46% das intenções de voto.
Saindo de Manaus, é
possível chegar de carro a apenas dez municípios. Os voos comerciais só atendem
a oito cidades. Barcos e lanchas são os principais meios de transporte, contudo
as rotas para municípios mais distantes podem levar dias.
Até mesmo pelo ar, a
tarefa não é simples. Segundo a Anac (Agência Nacional de Aviação), só 29
cidades do Amazonas possuem aeródromos. Para os outros lugares, os candidatos
usam hidroaviões e embarcações. Já que voar à noite é impossível, o governador
Melo costuma pernoitar navegando e, ao amanhecer, usa o hidroavião.
"Não é barato e não é
fácil fazer campanha no Amazonas. Boa parte dos recursos é usada em
aeronaves", diz Radyr Júnior, do Pros.
Segundo colocado na
pesquisa Ibope, com 31% das intenções de voto, Melo declarou ter gasto R$ 808
mil com táxi-aéreo até o início de setembro –13% de suas despesas. Braga ainda
não publicou gastos com aeronaves, mas o comitê de seu partido já detalhou
despesa de R$ 566 mil com frete aéreo.
Para economizar, as
coligações montam as caravanas com o candidato ao governo e ao Senado, além de
estaduais e federais, com gastos divididos por igual. Uma única viagem pode
custar mais de R$ 80 mil ao todo.
JINGLE EM NHEENGATU
Em vez de cidades, os
políticos demarcam o Estado pelos rios, como o Negro, Solimões, Madeira, Juruá
e Purus. Em três ou quatro dias, descem o rio percorrendo outras cidades, com
apoiadores e eleitores já preparados para comícios, caminhadas e carreatas, ou
encontros com líderes comunitários e indígenas. No município de Amaturá, Braga
foi recebido por índios cantando seu jingle na versão da língua nheengatu.
Os que não têm condições
financeiras de cruzar o Estado se viram como podem.
Na campanha de Marcelo
Ramos (PSB), terceiro colocado na pesquisa Ibope (3%), ao lado de Chico Preto
(PMN), vai de barco só o material de campanha, em percursos que levam dias até
o interior.
"Não temos a menor
condição de viajar pelo Estado. Viajamos pelas cidades próximas e contamos com
equipes pelo interior", diz Alexandre Barbosa, vice-presidente do PSB no
Estado.
Com gastos de R$ 285 mil
declarados até o início de setembro na campanha do pessebista, e receita de R$
371 mil, Barbosa diz que seria preciso multiplicar várias vezes a receita total
para conseguir acompanhar as caravanas dos dois adversários."Usamos nossos
diretórios no interior e os candidatos a deputado estadual em determinados
municípios para levar a campanha pelo Estado", diz.
Fonte/Fotos: Lucas
Reis, de Manaus-AM, para folha.uol.com.br/Chico Batata – Reprodução You Tube



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