ATENÇÃO: ENTIDADES FAZEM ALERTA PARA QUE CONSUMIDOR FIQUE ATENTO AOS OVOS COMERCIALIZADOS EM MANAUS
O forte calor do verão amazônico é um elemento que
pesa na balança porque pode encurtar esse prazo e colocar em risco a saúde da
população
Ovos importados levam 15 dias para chegar a Manaus;
aqui eles ainda têm validade estimada de dois meses
O consumidor de Manaus
pode estar levando ovo estragado para casa. O problema envolve o produto – o
quarto item da cesta básica do brasileiro -, que vem de outros Estados,
principalmente do Mato Grosso e São Paulo. Os carregamentos de ovos demoram, em
média, 15 dias para chegar a Manaus e ainda recebem um prazo de validade de 60
dias. Além disso, o forte calor do verão amazônico é um elemento que pesa na
balança porque pode encurtar esse prazo e colocar em risco a saúde da
população.
O alerta é de entidades
ligadas a setores produtores do Amazonas, de Medicina Veterinária e também da
Agência de Defesa Agropecuária e Florestal do Estado (Adaf/AM). Esta semana,
após reunião com representantes desses órgãos, foram definidas algumas ações
para proteger e assegurar a saúde do cidadão, porém, a principal arma do
consumidor continua sendo um cuidado maior na hora de comprar os ovos. “A
população deve observar se existe mau cheiro e se tem um aspecto de ‘ovo
velho’; preferir o alimento fresco ou que esteja com data de validade de,
aproximadamente, 25 dias. Essas são as medidas principais para assegurar a
tranquilidade de adquirir um produto próprio para o consumo”, orientou Milton
Sakamoto, presidente da Associação Amazonense de Avicultura.
Ele disse que os ovos de
outros Estados estão sendo comercializados na capital com um prazo de validade
muito alto. “Para o prazo de 60 dias, como vem sendo colocado, sem armazenagem
adequada, o produto não aguenta. Estão vendendo ovo estragado. Outra coisa é
que em nenhum lugar do mundo, o ovo in natura tem 60 dias de prazo”, alertou
Sakamoto, acrescentando que esse tipo de situação tem sido mais comum em redes
de supermercados e grandes atacadistas. Ovo estragado pode resultar em
infecções intestinais, intoxicação alimentar, dentre outras doenças.
O diretor-presidente da
Agência de Defesa Agropecuária e Florestal do Amazonas, Sérgio Muniz, enfatizou
a interferência das altas temperaturas, registradas nesse período em Manaus. “O
clima da cidade, nesta época do ano, é totalmente diferente do local onde o
produto é produzido; há toda uma logística para chegar até o Amazonas. E,
dentro das nossas condições climáticas, o prazo de validade pode ser diminuído
se o alimento estiver sendo armazenado fora do padrão estabelecido”, afirmou.
“A partir do momento em que o ovo sai do animal, começa uma corrida contra o
tempo para chegar à mesa do consumidor em condições adequadas, tendo a
segurança de um produto de qualidade”, adicionou.
Temor é ainda maior no
interior
Se já existe uma
preocupação com os carregamentos de ovos que chegam a Manaus, quando o assunto
é o interior do Estado, o temor é maior. Isso também devido à logística da
região, que acaba fazendo com que o produto demore mais tempo para chegar à
mesa do ribeirinho.
O diretor-presidente da
Agência de Defesa Agropecuária e Florestal do Amazonas, Sérgio Muniz, explicou
que, dependendo do município, esses ovos podem seguir de barco, estrada ou
avião. Quem mora no Amazonas ou conhece a região sabe que existem localidades
que a viagem dura de cinco a dez dias de barco. “Não queremos alarmar, e sim fazer
um trabalho para que o consumidor possa tomar cuidado e levar um produto de
qualidade para a sua casa, cumprindo a nossa obrigação de zelar pela saúde
pública”, acrescentou.
O presidente da Associação
Amazonense de Avicultura, Milton Sakamoto, alertou para outra situação: a
vazante do “Madeira”. “Quando o rio começar a baixar, existem aquelas
dificuldades de navegação, que geralmente surgem a cada ano, fazendo com que o
produto demore mais tempo para chegar a Manaus. E os ovos de outros Estados também
seguem para o interior”, salientou.
Em números: 55 milhões de
unidades de ovos são produzidos por mês
no Estado do Amazonas. É uma das cadeias do setor primário que mais avançou na
produção local e garante a autosuficiência do mercado. As maiores granjas estão
concentradas em municípios da Região Metropolitana de Manaus.
Qualidade prevista em lei
Especialista na área de
Aves em Produção, Marlene Sá lembrou que o artigo 733, do Regulamento da
Inspeção Industrial e Sanitária de Produtos de Origem Animal , determina qual
ovo é considerado impróprio para o consumo: aqueles que possuem alterações na gema
e na clara (gema aderente à casca, arrebentada, com manchas escuras, presença
de sangue alcançando também a clara, presença de embrião com mancha orbitária
ou em adiantado estado de desenvolvimento); mumificação (ovo seco); podridão;
presença de fungos; cor, odor ou sabor anormais; rompimento da casca e outros.
Nota técnica
Para evitar danos à saúde
pública, a Adaf e o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Amazonas vão
elaborar uma nota técnica com os procedimentos e orientações detalhadas aos veterinários
responsáveis pelo armazenamento, administração e manuseio dos ovos em seus
estabelecimentos comerciais. Também haverá uma reunião com esses profissionais
no próximo dia 7 de outubro, na sede do conselho, para discutir a problemática
e outros procedimentos de segurança que poderão ser adotados. O
diretor-presidente da Adaf, Sérgio Muniz, adiantou que será desenvolvida uma
campanha de esclarecimento ao consumidor de Manaus sobre esse assunto a fim de
orientá-lo quanto aos cuidados que deve adotar na hora de comprar ovos.
Fonte/Foto:
Acyane do Valle - ACRITICA.COM/Bruno
Kelly


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