PARLAMENTARES USAM ‘CRIATIVIDADE’ PARA ELABORAR LEIS CURIOSAS E POLÊMICAS NO AM
Muitos dos projetos causam tanta estranheza que suas
aplicações são até difíceis. Confira exemplos.
Manaus - A ‘criatividade’
de deputados estaduais e vereadores de Manaus foi a responsável pela criação
de leis e projetos de leis curiosos,
estranhos, e até polêmicos no Estado e município, nos últimos anos. Alguns até
difíceis de ser aplicados.
Entre as ideias mais
‘criativas’ está a que cria o ‘Varejão Volante’ (nº 35/2006), um programa que
coloca ônibus adaptados com gôndolas e balanças para o comércio de frutas e
legumes nas ruas de Manaus. A proposta é vender a produção de pequenos agricultores
no Estado, como forma de “incentivo à produção rural”, conforme explica o
projeto, apresentado pelo deputado Francisco Souza (PSC), em 2006, na
Assembleia Legislativa do Estado (ALE).
O projeto previa que as
frutas e verduras seriam vendidas por valores 30% abaixo do praticado pelo
comércio local e que o programa seria implantado pela Secretaria de Estado de
Produção Rural (Sepror). O resultado foi que o projeto foi arquivado, em 2008,
na Comissão de Constituição e Justiça da ALE, segundo dados do trâmite do
projeto, que podem ser encontrados no portal da ALE na internet.
Outro projeto curioso,
cuja ideia partiu de um deputado estadual, é o que obriga os prédios públicos
do Estado a captar água da chuva através de reservatórios fabricados com
material transparente (nº 98/2008). De
acordo com a proposta, o material utilizado na fabricação dos reservatórios
deverá ser transparente para facilitar a
absorção de raios ultravioletas emitidos pelo sol. A medida, segundo
justificativa do projeto, evita a proliferação de bactérias e os agentes
causadores de doenças. Mas ainda há controvérsias sobre a comprovação
científica disso.
Outra proposta proíbe a
instalação de máquinas de distribuição de preservativos nas escolas do ensino
básico e fundamental da rede pública e particular do Estado. E só permite
exceções para escolas Ensino Médio, públicas e particulares, que comprovem a
realização de “cursos educacionais preparatórios, com a participação de
familiares, com o objetivo de orientar os alunos sobre o assunto”. O projeto
prevê multa de três salários mínimos, ou R$ 2.172, em caso de descumprimento.
A proposta, de autoria do
deputado Wanderley Dallas (PMDB), ainda tramita na ALE, e contrapõe a campanha
do Ministério da Saúde, lançada em 2011, que buscou, na distribuição de
preservativos nas escolas para alunos do Ensino Médio, uma forma de ajudar a
prevenir doenças
sexualmente
transmissíveis, como a Aids. Para o parlamentar, a livre instalação das
máquinas pode estimular os jovens a praticar o sexo cada vez mais cedo.
Ainda na ALE, uma lei em
vigor é a que dispõe sobre a utilização de contracapas de cadernos escolares
para campanhas socioeducativas, proposta por Wallace Souza, em 2007.
Já na Câmara Municipal de
Manaus (CMM), algumas propostas ‘criativas’ viraram leis, como a que prevê que
a Prefeitura de Manaus construa ‘Pipódromos’ em todas as zonas da cidade. Os
locais, segundo o projeto, servirão para “proporcionar ao público amante das
pipas um local seguro para se soltar pipas e papagaios, sem causar e sofrer
acidentes”.
A proposta ainda prevê a
realização de cursos de orientação sobre como empinar pipa com segurança, além
da realização de campeonatos de pipas. A proposta, de autoria do vereador
Gilmar Nascimento, foi promulgada ano passado e está em vigor.
A Prefeitura de Manaus
informou que não tem previsão para a construção desses pipódromos e que,
também, não existe previsão de recursos destinados a essa construção.
Outro projeto criativo que
também virou lei foi o que proíbe a divulgação de propaganda de serviços de
acompanhantes, garotos e garotas de programas, disque-sexo, ou serviços de
massagens e saunas por meio de jornais e revistas de Manaus.
A lei foi promulgada no
final do ano passado e prevê multa de 50 Unidades Fiscais do Município (UFM),
que atualmente equivalem a R$ 78,79 a unidade. Se aplicada hoje, a multa seria
de R$ 3.939,50 em caso de descumprimento. E o dobro, R$ 7,8 mil, em caso de
reincidência.
Interessantes
Alguns projetos apresentam
ideias interessantes, como a que prevê o fornecimento de fraldas descartáveis
para pessoas de baixa renda ou a que obriga o Estado a custear exames de DNA
para pessoas que possuem renda igual ou inferior a quatro salários
mínimos. Outro projeto prevê a
instalação de detectores de metais nas portas de acesso a supermercados,
shoppings, cinemas e teatros em Manaus. O Projeto 52/2009 cria, ainda, o
programa ‘Mãe Adolescente’, que concede benefícios a mães em idade escolar,
como prioridade na matrícula. Nenhuma das propostas chegaram a ser aprovadas na ALE.
Fonte: Dhyene
Brissow - portal@d24am.com
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