VAI E VEM: PRESIDENTE DO TRF-1 AUTORIZA RETOMADA DAS OBRAS DE BELO MONTE
Empreendimento havia sido interrompido por ordem da
Justiça Federal.
O presidente do Tribunal
Regional Federal da 1ª Região (TRF-1), desembargador Mário Cesar Ribeiro,
suspendeu nesta terça-feira (29) os efeitos da decisão liminar (provisória) da
própria corte que, na última sexta (25), havia determinado a interrupção imediata
do licenciamento ambiental e das obras de execução da usina hidrelétrica de
Belo Monte, em Vitória do Xingu, no Pará.
Relator do processo, o
desembargador federal Souza Prudente havia acolhido o pedido do Ministério
Público Federal (MPF) para que o empreendimento fosse interrompido até que se
cumprissem as determinações previstas na licença prévia.
Diante da proibição de dar
andamento às obras e à retirada da vegetação, a Advocacia-Geral da União (AGU)
recorreu à presidência do Tribunal Regional Federal da 1ª Região para tentar
cassar a liminar de Souza Prudente. Os procuradores federais alegaram no
recurso que já haviam sido cumpridas as exigências relativas a infraestrutura,
saneamento, saúde e educação previstas na licença prévia de instalação do empreendimento.
Em seu despacho, o
presidente do TRF-1 sequer chegou a analisar o mérito do processo. O magistrado
recorreu a uma questão regimental para autorizar a retomada das obras da usina.
Segundo Ribeiro, seu antecessor na presidência do tribunal, desembargador
Olindo Menezes, já havia suspendido liminar concedida, em 2011, pela Justiça
Federal do Pará que cassou temporariamente o licenciamento ambiental da usina
hidrelétrica.
Em razão desta decisão
anterior, destacou Ribeiro, enquanto não ocorrer o trânsito em julgado (decisão
definitiva) do processo, somente a Corte Especial do TRF-1, o Superior Tribunal
de Justiça (STJ) ou o Supremo Tribunal Federal (STF) poderiam ter concedido
nova liminar para suspender as atividades do empreendimento energético do Pará.
"Assim sendo, a
decisão proferida, monocraticamente, pelo relator da ação cível não tem, data
venia, o condão de, sob pena de usurpação de competência da Corte Especial,
afastar os efeitos da decisão proferida nos autos da Suspensão de Liminar ou de
Antecipação de Tutela, que permanece higida e intangível até que ocorra o
trânsito em julgado na ação civil pública", escreveu Mário Cesar Ribeiro.
Em nota divulgada nesta
quarta, a empresa Norte Energia, responsável pela operação da hidrelétrica,
informou ter retomado as atividades do empreendimento em Vitória do Xingu.
"A Norte Energia,
responsável pela construção e operação da Usina Hidrelétrica Belo Monte,
informa que as atividades nas obras da Usina estão em pleno funcionamento. A
continuidade das obras está de acordo com a decisão proferida pelo presidente
do TRF 1ª Região, Mário Cesar Ribeiro", informou a companhia.
Batalha judicial
O empreendimento
hidrelétrico de Belo Monte já havia sido paralisado no ano passado por ordem da
Justiça. Em agosto de 2012, o próprio TRF-1 determinou a suspensão das obras a
pedido do Ministério Público Federal. No entanto, duas semanas depois, o então
ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Carlos Ayres Britto concedeu liminar
autorizando a retomada das obras.
Em julho deste ano, a
Justiça Federal do Pará negou pedido de liminar do Conselho Indigenista
Missionário que pretendia interromper as obras da hidrelétrica. A entidade
alegava que projetos de geração de energia dentro de terras indígenas deveriam ser
executados somente depois da elaboração de leis específicas sobre o assunto.
À época, o juiz Marcelo
Honorato negou a liminar com a justificativa de que a paralisação da obra
"atentaria" contra a ordem e a economia do país. Além disso, o
magistrado considerou que os procedimentos para o licenciamento ambiental
estavam corretos.
Obra polêmica
A usina hidrelétrica de
Belo Monte está sendo construída no rio Xingu, no Pará. Segundo a Norte
Energia, o custo total do empreendimento é R$ 25,8 bilhões.O projeto sofre
oposição de ambientalistas, que consideram que os impactos para o meio ambiente
e para as comunidades tradicionais da região, como indígenas e ribeirinhos,
serão irreversíveis.
A obra também enfrenta
oposição do Ministério Público Federal, que alega que as compensações às
comunidades atingidas pela hidrelétrica não estão sendo feitas da forma devida.
Para os procuradores da República, Belo Monte pode gerar um problema social na
região do Xingu.
Fonte/Arte: Filipe
Matoso - G1/ Infográfico sítio Belo Monte, elaborado em 09.05.2013


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