ESTAVA ESCRITO NO COLOSSO VERDEJANTE DO ESPELHO DA LUA


Santuário encantado da natureza situado entre serras e um platô de areias alvíssimas, o majestoso rio Nhamundá está moldurado pela mais verdejante marquise de florestas naturais do mundo amazônico. Trata-se de uma beleza ímpar a expor um manancial de riquezas num pulsar vibrante, em pleno coração da Floresta Amazônica. A brandura sempre o acompanhou desde os primórdios do reino vegetal. Único e formoso, o amor sempre fez moradia em seu bondoso coração.
Muito antes de entrar em seu portal, o caminho em S estende à vegetação rasteira, cujas folhas de um verde-musgo impressionante cumprimentam umas às outras. As rosas deificam seu esplendor em cada aclive, espalhando as mais puras essências de seu profundo carinho a todos os seres viventes. É o hálito mais puro que vem da força de suas veias, as quais pulsam sem parar, gerando mais e mais vida.
Por entre árvores frondosas, os cipós entrelaçados seguram a marquise da ópera a anunciar as boas novas em plena selva. É quando o regente uirapuru inicia o cântico dos cânticos sagrados, tendo como eterno vigilante o aracuã, que alardeia até o cair da simples folhas sopradas pelas brisas do rio da vida – o Nhamundá.
Outrora, esse rio recebeu em suas águas a Yara, com a qual ele revigorou o bálsamo da temperança e manteve por séculos as amazonas, mulheres independentes e aguerridas que defenderam cada palmo de seu solo colossal. De seu espelho límpido, anunciaram ao mundo uma nova civilização, cheia de ternura fraternal.
Por decênios, manteve-se em profundo silêncio reflexivo, à espera do grande guerreiro Jamundá, filho de todas as terras e guerreiro de fibra, que libertou tantas nações indígenas e assegurou nossas fronteiras no planalto guianense. Este, um patrimônio conquistado às duras penas, quando lágrimas e suores foram derramados e fizeram reverberar o brando plácido nos quatro cantos do mundo em nome de uma pátria chamada Brasil.
Em seu reino, nunca houve escravos; e jamais servis, bajuladores, corruptos e manipuladores, pois a força benfeitora vinda de suas veias que germinam o mais autêntico sangue caboclo arremessa-se a todos do subsolo da Serra do Copo. Estas somente respiram por meio das frestas entre pedras vermelhas pontiagudas; isso graças a sua caridade e benevolência, para que todos os que o admiram assistam, de suas enseadas, ao abismo que há entre o bem e o mal.
Por entre enseadas e serras, há tantos bons caminhos; e, a cada curva majestosa, descortinam-se os raios dourados que encorpam pensamentos puros de ternura do reino da mãe-natureza, razão maior de muitos desejarem um dia fazer moradia em seu seio. Tudo o que está no palácio celestial resplandece em seu espelho de águas, por isso o rio anula os mais disformes pensamentos, e o aprendiz nem se dá conta do porquê de ter vindo em busca de riquezas.
É a força divina a se manifestar no curso de suas águas, que as revigora num eterno movimento de Luz, Vida e Amor. Luz que não apaga, sempre eterna fonte de Vida. Vida pela vida, na vida eternamente bem vivida. Amor sublime e permanente no coração de todos aqueles que tanto o estimam, que o têm na alma e o amam.
É o bálsamo de águas profundas a semear a harmonia entre povos e milhões de espécies. A sua exuberância jamais poderá ser comparada a qualquer paraíso terreno. O rio Nhamundá se fez primoroso, e as energias positivas que vêm de seu ser levantam a grande muralha invisível da sapiência, onde se encontram, disponíveis àqueles de elevado propósito e de bom coração, os escritos sagrados e a simbologia de todos os seres da floresta.

Trecho do livro “Vozes da Amazônia”, págs. 195 e 196
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Editor e Autor: Lison Costa




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