NO AM, MAURÍCIO DE SOUSA FALA SOBRE MÔNICA E DE INSPIRAÇÕES NA AMAZÔNIA
Cartunista esteve em Manaus para lançar projeto
educacional.
Ele contou que japoneses pediram personagem amazônico.
"Ela não fica presa
ao passado". Com essas palavras, Maurício de Sousa (foto) definiu o sucesso de
sua personagem mais famosa, a Mônica, que neste ano completou cinco décadas de
existência. Em Manaus para participar do lançamento do projeto "Quadrinhos
na Escola", o cartunista afirmou ao G1 que não descarta criar personagens
com características regionais.
"Já pensei em criar
um personagem amazônico. Há muitos anos, um grupo de empresários japoneses me
cobrou isso. Mas, como criar algo que eu não conheço? Por isso, me dediquei a
vir para cá estudar a natureza, a arte e os costumes", explica.
O cartunista já fez uma
experiência com o projeto "Os Amazônicos", que trazia animais da
região. "Esses desenhos eram muito bonitinhos, mas não tinham muita
essência, porque eu não tinha andado por aqui", reconhece.
Quando finalmente veio à
Região Norte, o cartunista conta que ficou assustado com a variedade do
ecossistema amazônico. "Tentei criar uma família de personagens, com um
ribeirinho, um seringueiro e um indiozinho. Mesmo ali, tive alguns problemas,
porque me baseei em duas tribos, mas não existem apenas duas aldeias e os
índios nunca são iguais", brinca. "Mas isso está em andamento. Eu
devo isso não só a mim, mas aos empresários japoneses que me cobram até
hoje", diz.
Em uma década, Maurício
viajou pela Amazônia "uma meia dúzia de vezes", como ele mesmo
contou. As vindas, no entanto, não se resumiram a estudos e à busca de
inspiração para a criação de personagens e histórias. "Gosto de andar por
aí, conhecer as coisas, fotografar... Sou um grande defensor da Amazônia e dos
projetos ecológicos. Sonho que meus netos e bisnetos possam usufruir disso um
dia", disse.
Renovação
Com uma equipe de
desenhistas e roteiristas que conta até com um parintinense, Maurício de Sousa
aposta na renovação do vocabulário e dos costumes dos personagens que criou no
fim dos anos 50, quando ainda era um jovem repórter policial. "A Mônica
fala a língua dos jovens. Ela não fica presa ao passado. Talvez esse seja o
segredo de ela ainda fazer tanto sucesso com as crianças", define,
acrescentando que gosta de criar personagens a partir de pessoas e situações
que conhece. "No meu caso, tinha uma filha comilona, daí veio a Magali. A
Mônica, nem se fala. O "Do Contra" também é baseado em um filho meu.
São personagens identificáveis com o leitor e isso ajuda bastante a levar as
histórias para a casa de quem as lê", acredita.
Fonte/Foto:
Camila Henriques – G1 AM


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