CAMPANHA QUER CONSCIENTIZAR SOBRE DOAÇÃO DE ÓRGÃOS
No Amazonas, o número de pessoas na fila de espera por
um transplante já conta com mais de mil.
Na semana em que se
comemora o “Dia Nacional de Incentivo à Doação de Órgãos e Tecidos” mais de mil
pessoas do Amazonas esperam ansiosamente na fila por um transplante de rim, córnea,
fígado e coração, segundo estimativas da Superintendência Estadual de Saúde
(Susam). Espera pela qual passou o auxiliar administrativo Ebenezer Rodrigues
Sales Junior, 41, que venceu um policisto renal e as dolorosas sessões de
hemodiálise depois de receber um transplante de rim, em 2010.
Para diminuir essa difícil
espera, o desafio do Estado é conscientizar a população sobre o ato voluntário
de se declarar doador de órgãos e vencer a resistência das famílias que se
recusam a autorizar o procedimento.
O trabalho consiste em
promover campanhas educativas, a exemplo da programação especial que acontecerá
durante toda a semana em Manaus com a finalidade de reforçar as informações
sobre o processo de doação de órgãos em escolas da rede pública, shoppings
centers e unidades de emergência médica da capital.
O investimento do Estado
em exames médicos como o ecodopler intracraniano e encefalograma também
ajudaram a identificar os casos de morte encefálica, onde é possível realizar a
doação de órgãos. “Antes não tínhamos aparelhos nem gente treinado. Hoje os
médicos que trabalham nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) são treinados
para identificar isso”, informou a coordenadora Estadual de Transplante do
Amazonas, médica Leny Passos.
Dados
Segundo dados da
Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO), de cada 10 pessoas
abordadas, quatro se negam a doar os órgãos de seus familiares. Atualmente,
cerca de 30 mil pessoas no Brasil aguardam na fila de espera por um transplante
que pode salvar uma vida.
A maior lista de espera é
por um rim – 20 mil pessoas. Em segundo lugar, estão os que precisam de
transplante de córnea (6 mil). Em seguida, vem fígado, com 1.300 pessoas na
lista de espera, e, por último, coração e pulmão, com 200 e 170 respectivamente.
“Há uma preocupação em nível nacional quanto a isso. Afinal, doar é um ato
espontâneo, voluntário e altruísta. Tem que ter conhecimento, avisar a família
que a partir daí vai consentir. Esses órgãos vão ser muito úteis para salvar
várias pessoas”, ressaltou Leny Passos.
Mas se engana quem pensa
que apenas órgãos vitais como coração, rim, pulmão e pâncreas podem ser
aproveitados em um transplante. Ligamentos, vasos, válvulas, ossos e pele
também são utilizados para salvar a vida de um paciente crônico, informam os
médicos da área. Para isso é necessário que o doador falecido não tenha sofrido
de infecções, tumores malignos, vírus HIV ou nenhum tipo de distúrbio no
metabolismo. “Pode ser doador que faleceu em casos de hemorragia, aneurisma,
rompimento do vaso, hipertensão, trauma intracraniano, ou seja, quando os
órgãos ainda estão preservados”, explicou a médica hematologista, com 32 anos
de experiência.
Cirurgias passam dos 300 casos
O Amazonas que já realiza
transplantes de rim e de córnea vai receber em breve mais dois tipos de
procedimentos - coração e fígado. No Estado, a realização de transplantes de
rins entre doadores vivos começou em 2002 e até agosto deste ano somava 230 procedimentos.
Os transplantes a partir de doador falecido tiveram início em 2011 e 67
procedimentos desse tipo já foram realizados, graças ao gesto de 39 famílias,
que autorizaram a doação.
Em relação ao transplante
de córneas, o procedimento começou a ser realizado no Estado a partir de 2003,
com a realização de 992 cirurgias até o último mês de agosto.
O Governo do Amazonas está
investindo pelo menos R$ 2 milhões para estender à rede estadual de saúde a
oferta de mais dois tipos de transplantes de órgãos, através de uma parceria
com o Ministério da Saúde (MS). O
investimento inclui treinamento de equipes multidisciplinares, ampliação das
unidades médicas e aquisição de materiais. A capacitação está sendo estendida a
médicos, enfermeiros, nutricionistas, farmacêuticos, psicólogos, assistentes
sociais, radiologistas, técnicos de laboratório e a liga de estudantes de
Medicina que integra o projeto.
Fonte/Foto: Cinthia
Guimarães – ACRITICA.COM/Bruno Kelly


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