A INCRÍVEL HISTÓRIA DE UMA ‘GATA BORRALHEIRA’ AMAZONENSE
Como nos contos de fada, Cacau reencontrou Benjamin
Constant emoldurada por um belo arco-íris
Era uma vez, em uma cidade
longínqua do Amazonas chamada Benjamin Constant, um casal que tinha 13 filhos.
O pai, agricultor, e a mãe parteira, desdobravam-se para poder criar seus
rebentos.
Vera Sandra dos Santos, a
“Cacauzinha”, como é conhecida a caçula, foi criada como ribeirinha, no
Javarizinho, e até os 7 anos morava na “Colônia” (Zona Rural), onde não tinha
água, nem luz e caminhava quatro horas por dia para chegar na cidade.
A família mudou-se para
Manaus quando a garota tinha 15 anos e dividiu uma pequena casa no bairro de
Santa Etelvina, Zona Norte. Todos tinham que cumprir uma obrigação: estudar.
“Quando eu cheguei a Manaus, quis realizar meu sonho de ser atriz, mas a cidade
não oferecia condições. Me apaixonei por Paris quando vi a Torre Eifell na
televisão pela primeira vez. Eu falava para todo mundo: um dia eu vou!”
A jovem se formou em contabilidade
e abandonou um curso de nutrição pela metade. “Não exerci as profissões, pois
não era o que eu gostava. Preferi trabalhar como promoter de boate, pois
conhecia muita gente e isso me deixava feliz”, explica Cacau.
Europa
A decisão de partir foi em
2007, depois do falecimento de sua mãe. Ela largou o emprego, pegou o dinheiro
da indenização trabalhista e comprou o bilhete para ir à Espanha, onde tinha
acertado um emprego como babá.
“Já estava tudo certo, mas
meu sonho era Paris, sempre foi, mas ainda não dominava o idioma, e como já
tinha emprego garantido na Espanha, era pra lá que iria. Decidi passar uma
semana antes em Paris, com minha amiga Suelen, para depois seguir viagem”.
Obstinada e sempre
seguindo o mantra “eu vou para Paris”, Cacau desembarcou na Cidade Luz com R$ 1
mil e uma enorme paixão no coração. Aquela cidade a fascinava tanto que chegou
a recusar luxos porque sabia que não ficaria em Manaus. “Para que eu vou ter um
carro, se eu vou embora?”relembra, autointitulando-se “Gata Borralheira”.
Em Paris, a amiga Suelen
fez um jantar de despedida e a apresentou para François Chamagne. Amor à
primeira vista. “Ele me disse que não me deixaria ir embora para a Espanha e me
conquistou”. Cacau foi pedida em casamento em Veneza, mas disse que iria
pensar. Uma nova investida, no alto da Torre Eifell, teve um “sim” como
resposta.
O casal se divide no
trabalho com arte na “Maison Moderne”, e ela estuda em uma das mais
conceituadas universidades de teatro e cinema da França, a “Cours Florent”.
Cacau e François
aproveitam a vida da melhor maneira que existe: já conheceram, juntos, 22
países, felizes para sempre!!!
“Hoje eu tenho, graças a
Deus, uma vida que eu nunca imaginei ter. Me sinto uma pessoa muito abençoada
por Deus, por estar conseguindo o que um dia eu sonhei e que via como um sonho
distante. Agora, peço a Deus é muita saúde pra continuar fazendo meus testes para
cinema e teatro na França, terminar minha faculdade e poder continuar ajudando
meus irmãos”.
Fonte/Foto:
Célio Jr. – acrítica.uol.com.br/Arquivo Pessoal


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