VAI CANOEIRO ...
(...) É na batida do remo que vou singrando o meu rio
amado. O bigode d’água cristalina a borbulhar no talha-mar da minha canoa
espargindo pingos de amor no meu rosto. Gotículas que me enchem de esperanças
benfeitoras. Os meus dias tornam-se mais leves... De repente tudo são encantos.
Encantos no meu bailar e remar além-rios, igarapés, lagos e paranás.
Bem pertinho, botos e gaivotas bailam, enamoram-se
vivenciando o esplendor da vida. Ah... Vidas de encantos, maravilhas. Prantos
são arremessados aos arquivos do esquecimento. Tudo é novo. Um novo tempo a
brisa aconchegante anuncia soprando os ramos do capim verdejante. Morada da
jaçanã faceira. Sementes da bromélia esquecida brotam entre as fendas do
encharcado assacuzeiro que pontua o azul-escuro do caudaloso rio Nhamundá.
É a restinga exalando e descortinando a grande
marquise da floresta no horizonte. Imponente e belíssima, estende o mormaço
protetor na vegetação aquática e rasteira. E eu remando, remando, remando. Nem
me canso de bater o remo nas águas profundas. A energia vivificante encorpa
todo o meu ser...
Trecho do livro “Encantos
de Nhamundá”, Págs. 143 e 144.
Autor: Lison Costa.



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