SENADO É CONTRA PATENTE DE EMPRESA DOS EUA SOBRE O TERMO "AMAZON"
BRASÍLIA - Um dia após o
lançamento da campanha no Congresso, por parlamentares e entidades
governamentais, contra a exclusividade do termo "amazon" na internet
pela empresa americana Amazon, a Comissão de Relações Exteriores e Defesa
Nacional do Senado CRE) realizou audiência pública para discutir o assunto,
nesta quinta-feira, 20, com representantes dos setores envolvidos.
Na audiência, o embaixador
Benedicto Fonseca Filho, diretor do Departamento de Temas Científicos e
Tecnológicos do Ministério das Relações Exteriores (MRE), afirmou que o governo
brasileiro não considera entrar em litígio com a empresa Amazon, mas "se
reserva o direito de buscar reparação por outros meios", caso a empresa
americana consiga a patente do termo.
Segundo o embaixador, a
eventual exclusividade de uma empresa sobre a palavra "amazona" na
internet é considerada prejudicial aos interesses do Brasil e dos demais países
que compõem a Amazônia Global, que teriam de pedir autorização prévia da
empresa detentora do domínio se quisessem, por exemplo, registrar um site com o
final "amazon".
"A palavra engloba
todo um bioma, contendo flora, fauna, produção extrativa, conhecimentos
tradicionais, cultura, enfim, uma complexidade de componentes, muitos dos quais
utilizam a palavra 'Amazônia' em sua denominação. Essa utilização ficaria
ameaçada, se o termo fosse de uso exclusivo de uma empresa", disse a
senadora Ana Amélia (PP-RS).
Os senadores se manifestaram
contrários ao pedido de registro feito pela Amazon à ICANN (Corporação da
Internet para Atribuição de Nomes e Números), órgão responsável pela decisão, e
defenderam o domínio público do termo. O governo brasileiro contesta o pedido,
assim como outros países da Amazônia.
Em busca de acordo
Segundo o embaixador, já
houve duas tentativas de consenso entre a empresa americana e os membros da
Organização do Tratado de Cooperação Amazônica (OTCA), sem sucesso. Ele mostrou
preocupação com a forma como a questão comercial é tratada pelo ICANN.
Representante do Brasil na
ICANN, o embaixador Everton Lucero disse que há 1930 pedidos de registro de
domínios na internet, entre eles, o da empresa Amazon, que está sendo
analisado. Segundo ele, com a contestação feita por Brasil e Peru, a empresa
americana já recebeu um aviso prévio de que há preocupação com o pedido. Mas
deixou claro que o aviso prévio não significa um veto.
Ao final da audiência
pública, o presidente da CRE, senador Ricardo Ferraço (PMDB-ES), pediu que a
senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB-AM) prepare um documento com a posição
oficial da comissão sobre o pedido de patente feito pela empresa americana.
"Hoje são dois
bilhões de usuários da internet. Um domínio público na internet hoje tem maior
poder do que qualquer patente comercial", diz Vanessa.
Fonte/Imagem:
Dal Marcondes, via facebook/linhadefensiva.org


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