O “CALÇA MOLHADA”
[...] Vaidoso, certo fim
de tarde pegou uma parafernália de produtos cosméticos da “Avon” e tomou o
caminho rumo à beira do lago que o esperava. Na intenção de banhar-se, de
repente ouviu os sons: shéq, shéééq, shiiiiiiiééééq. O coração palpitou, a boca
ficou amarga, e os cabelos queriam saltar; e, por um instante, reinou um
profundo silêncio. Corajoso, seguiu em frente e tomou um banho refrescante.
(...) Foi um piar
penetrante da rasga-mortalha do alto da cumieira, seguido de uivos de um
cachorro-do-mato que recebia lambadas de um resistente galho de cuieira. Pulou
tardiamente em posição de combate, gesticulando enfrentar a fera desconhecida,
e logo desistiu.
(...) Aos seus olhos, a
poucos metros, um homem muito alto e apavorante, vestido de preto, com a calça
molhada, o observou sorrindo; seu coração quis sair pela boca; a vista
escureceu, e ele desmaiou pedindo perdão por todos os pecados cometidos e por
aqueles que ainda pretendia cometer. Nesse momento o medonho desapareceu mata
adentro.
Trecho livro “Encantos de
Nhamundá”, págs. 124 e 126
Autor: Lison Costa



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