INDÚSTRIA MADEIREIRA DESPERDIÇA MAIS DE 70% DAS ÁRVORES CORTADAS NA AMAZÔNIA
Para cada 100 toneladas de madeira bruta cortada na
região, somente 11 toneladas são aproveitadas pela indústria.
A cada 100 toneladas de
madeira bruta cortada na Amazônia, apenas 11 toneladas são aproveitadas pela
indústria madeireira. Do total, 16 toneladas são resíduos de processamento
(pedaços, cascas, pó de serragem) e 73 apodrecem na própria floresta (árvores
mortas, tocos, galhos, enfim, pedaços inúteis para o comércio). A informação
está constatada na pequisa de mestrado defendida na Universidade de São Paulo
(USP) pela arquiteta Érica Ferraz de Campos.
Érica contabilizou que,
para cada metro cúbico de madeira processada da Amazônia, algo entre 6,5 e 24,9
toneladas de dióxido de carbono (CO2) são lançadas à atmosfera. A estimativa é
inédita. Érica calculou as emissões de carbono ao longo de toda a cadeia
produtiva da madeira – incluindo a derrubada das toras, o transporte às
serrarias e a destinação aos centros consumidores.
Toda a cadeia produtiva
dessa indústria é baseada em combustível fóssil – principalmente o óleo diesel
que alimenta a sede de máquinas como motosserras, tratores e caminhões. “As
emissões de CO2 da madeira amazônica, mesmo em caso de exploração legal, não
podem ser desprezadas”, disse Érica. “Estimamos que essa atividade respondeu
por 3,5% a 13,1% do total de emissões brasileiras em 2005”.
A pesquisadora disse
acreditar que a exploração de madeira amazônica ainda acontece
predominantemente de forma ilegal – e por isso é difícil dispor de estatísticas
transparentes. Em recente artigo, o engenheiro florestal Alexandre Almeida, da
Universidade de Brasília (UnB), não traz melhores notícias. “A maior parte da
produção madeireira da Amazônia é considerada predatória ou oriunda de
desmatamento”. Ainda segundo o pesquisador, “a produção dita ‘sustentável’
advém, em grande parte, de planos de manejo deficientes”.
Em 2010, o Serviço
Florestal Brasileiro (SFB), em parceria com o Instituto do Homem e Meio
Ambiente da Amazônia (Imazon), lançou o relatório “A atividade madeireira na
Amazônia brasileira: produção, receita e mercados”. É o mais completo
levantamento já feito sobre a atividade madeireira na região.
Os dados mostram que as
principais zonas de exploração concentram-se em três estados: Pará, Mato Grosso
e Rondônia. Em 2009, foram arrancados da Amazônia 14 milhões de metros cúbicos
(m³) de madeira em tora. Receita aproximada: R$ 5 bilhões.
Segundo o relatório, esse
número é resultado de uma “forte retração na produção madeireira da Amazônia
Legal”. Pois, antes da década de 2000, chegava-se com facilidade à casa dos 30
milhões de m³ anuais. O estudo aponta três fatores para explicar essa redução:
melhora dos mecanismos de monitoramento e fiscalização ambiental, substituição
de madeira nativa por madeira de reflorestamento e redução das exportações em
função da crise econômica mundial.
Falando em exportações,
destaca-se hoje que os grandes consumidores da madeira amazônica são os
próprios brasileiros (79%). O Estado de São Paulo é o maior “cliente”. A
Amazônia é a terceira principal região produtora de madeira tropical do mundo –
atrás apenas de Malásia e Indonésia.
Fonte/Foto:
Portal Amazônia/Antonio Cruz


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