DA JUTA À SACOLA ECOBAG, COM A CARA DA AMAZÔNIA


Às quatro da manhã, Herculano Andrade de Souza, ainda debaixo do mosqueteiro, termina suas orações e vai despertando devagarzinho firmando os pés sobre a tábua de angelim-rajado. Por alguns segundos, olha o mormaço por meio das frestas da janela de palha e segue em direção ao fogão de barro. De repente, puxa da surrada petisqueira uma pequena chaleira, põe água, taca fogo nas hastes de lenha e senta-se na ponta do banco feito de paxiúba, enquanto ouve o cântico dos pássaros anunciando um novo dia, então reflete sobre a vida.
O café fica pronto, e entorna-o numa lata de leite condensado – sua xícara – e, de posse de alguns tufados – biscoitos feitos de ovos de tracajá e polvilho -, toma o seu café da manhã; depois se dirige, com um terçado Collins 128, à pedra de amolar aos pés da escada, quando pressente que a lâmina corta até pensamentos; ele pega e segue rumo à pequena varanda retirando uma camisa de mescla estendida sobre a corda de envira e toma o caminho da pequena enseada às margens do paraná do Ramos, bem próximo à Vila Amazônia – antiga Vila Batista -, em Parintins-AM, onde se encontra o plantio de um belo roçado de juta.
Milhares de talas de juta, com o seu colorido verde-água inconfundível, ornam a belíssima enseada e invadem as margens do rio, formando uma paisagem única...

Trecho Livro Amazonas, Esplendor da Natureza, Pág. 154

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