COBERTURA DA ARENA AMAZÔNIA DÁ DUAS "VOLTAS AO MUNDO" ATÉ CHEGAR A MANAUS
A construção do estádio de
Manaus para a Copa do Mundo de 2014 envolve uma verdadeira odisseia. Para levar
à capital do Amazonas tudo o que é necessário para cobrir os 42 mil lugares da
nova arena da cidade, serão percorridos cerca de 100 mil quilômetros em, pelo
menos, 19 viagens. Só para que se tenha uma ideia: se todas essas viagens
fossem feitas uma após a outra, seria possível dar duas voltas ao mundo.
A saga da cobertura da
Arena Amazônia começou em setembro do ano passado e só deve acabar no segundo
semestre deste ano. Durante esse período, ao menos 16 carretas e três navios
cargueiros transatlânticos levarão ao coração da Floresta Amazônica um enorme
guindaste e cerca de 6.000 toneladas de estruturas metálicas, além de outros
materiais que serão usados na obra.
As carretas, aliás, já
chegaram todas a Manaus. A primeira delas saiu de Pindamonhangaba (SP), da
fábrica da empresa Martifer, levando algumas ferramentas para a montagem da
cobertura do estádio. A viagem começou pouco tempo depois de a companhia, de
origem portuguesa, ser contratada para cobrir e estruturar a fachada da Arena
Amazônia, em agosto de 2012.
Segundo o governo do
Estado, a Martifer foi a única empresa que aceitou o desafio de montar a
cobertura do estádio até o final de 2013, prazo-limite dado pela Fifa. Pelo
trabalho, ela vai receber cerca R$ 105 milhões. Com esse montante, ela terá de
arcar também com o transporte de tudo o que usará em Manaus.
A viagem das ferramentas,
por exemplo, entrou na conta paga pela empresa. Da fábrica da companhia, um
caminhão viajou cerca de 3.100 km até Porto Velho (RO). De lá, embarcou numa
balsa e desceu mais 1.211 km pelo Rio Madeira até chegar a Manaus com os
primeiros equipamentos para a empreitada.
Guindaste
Meses depois, começou a
segunda parte da odisseia da construção da Arena Amazônia. Em dezembro, a
Martifer finalizou a cobertura da Arena Grêmio, em Porto Alegre, e resolveu
enviar a Manaus um guindaste de 700 toneladas que estava sendo usado naquela
obra.
O equipamento foi
desmontado e dividido em 15 carretas. Cada uma delas viajou 3.604 km pela
estrada até Porto Velho. Da capital de Rondônia, elas também foram de balsa,
pelo Rio Madeira, até Manaus.
"Para levar o
guindaste até o canteiro de obras foi outro desafio", lembrou Miguel
Capobiango, diretor da UGP Copa (Unidade Gestora do Projeto Copa), do governo
do Amazonas. "Tudo era muito grande. Dentro da cidade, os caminhões tinham
que andar a 20 km/h. Montamos um esquema especial de trânsito."
O comboio das 15 carretas
só encerrou sua viagem em meados de janeiro deste ano. Juntos, os caminhões
rodaram mais de 72 mil km para levar o "incrível Hulk" ao estádio de
Manaus. "O guindaste é verde e enorme. Quando chegou, logo os operários já
lhe deram um apelido", complementou Capobiango.
Travessia
Concluído o transporte do
guindaste, começou o planejamento da parte final da saga da cobertura da Arena
Amazônia: o transporte de 6.000 toneladas de estruturas metálicas do Porto de
Aveiro, em Portugal, para Manaus. "É um desafio. A estrutura da arena pesa
o triplo da instalada no Castelão (estádio de Fortaleza)", ressaltou
Capobiango.
Tudo está sendo levado em
partes à capital do Amazonas em três navios cargueiros, que cruzarão o Oceano
Atlântico, subirão o Rio Amazonas e atracarão em Manaus após uma viagem de
cerca de 8.760 km. Somadas as distâncias da viagem de cada navio, serão
percorridos 26,2 mil km. Os deslocamentos serão feitos até julho.
O primeiro navio partiu de
Portugal no último dia 17 e já chegou a Manaus. O segundo parte no dia 25 deste
mês e o terceiro, no início de julho. Cada viagem durará cerca de 20 dias.
Terminadas as viagens,
mais três meses e a cobertura e a fachada da Arena Amazônia deverão estar
instaladas. De acordo com o governo estadual, no final de outubro, toda a
estrutura do estádio estará pronta e, até dezembro, ele estará apto a receber
uma partida de futebol, conforme o determinado pela Fifa.
Hoje, a Arena Amazônia
está 60% concluída e tem previsão de custo de R$ 583 milhões. Inicialmente, ela
custaria R$ 500 milhões e estaria pronta em dezembro do ano passado. O diretor
da UGP Copa, porém, nega qualquer ligação do atraso e do aumento de custo da
obra com a complexidade da instalação de sua cobertura.
"O custo da estrutura
sempre foi esse. A obra só atrasou por causa dos problemas no repasse do BNDES
(Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social)", explicou.
"Isso já foi resolvido e a obra segue seu ritmo normal."
De maio a dezembro do ano
passado, o financiamento do BNDES à obra foi retido por determinação do TCU
(Tribunal de Contas da União). O órgão encontrou sinais de superfaturamento e
bloqueou os repasses do banco estatal ao estádio. No final de 2012 e após uma
revisão do projeto, o dinheiro foi liberado.
Fonte/Fotos:
Vinicius Konchinski - UOL/UGP Copa - Divulgação


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