EM DEZ ANOS, ASSOCIAÇÃO RESGATA MAIS DE CEM FILHOTES DE PEIXES-BOIS NO AM


Dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apontam que cerca de 500 peixes-bois são mortos por ano.
O peixe-boi da Amazônia é a única espécie de peixe-boi que pode ser encontrada em ambientes de água doce. Porém, a caça ilegal colocou o animal em condição vulnerável de extinção. A prática, muito comum no passado, hoje é proibida por lei como crime ambiental, passível de multa e prisão.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade, vinculado ao Ministério do Meio Ambiente, reconhece o peixe-boi-da-amazônia como o mamífero aquático mais caçado do país. Dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) apontam que cerca de 500 peixes-bois são mortos a cada ano.
Um dos reflexos da caça ilegal do peixe-boi-amazônico são os filhotes órfãos que sobrevivem à matança. Invisíveis aos olhos dos caçadores, que preferem focar a atenção nos animais maiores, os mais jovens são resgatados com frequência no Amazonas.
Em dez anos, a Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa), que atua juntamente com o Laboratório de Mamíferos Aquáticos (LMA) do Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), já resgatou mais de cem filhotes cujas mães foram vítimas de caça ilegal. Nos últimos três anos aproximadamente 50 animais foram resgatados nessas condições.
De acordo com o veterinário do Inpa, Rogério Naiff, os resgates são feitos a partir de denúncias dos moradores. Levados ao LMA, os animais chegam debilitados, geralmente com desnutrição aguda, desidratados e com ferimentos. O tratamento de cada espécie varia de acordo com as condições de saúde do resgatado, exames físicos e laboratoriais são realizados nos filhotes.
Caça para consumo
A caça, sofrida desde o início da colonização, é o principal fator responsável pelo declínio populacional dos animais. O tradicional consumo da carne é o que impulsiona a continuidade. A captura intencional acontece para subsistência de ribeirinhos, mas existe a caça para abastecer feiras.
“A caça do peixe-boi-da-amazônia não é sistemática. Identificamos que quem caça os animais são ribeirinhos para consumir a carne e eventualmente, para comercialização. E geralmente ocorrem em áreas protegidas, como unidades de conservação e terras indígenas”, diz o chefe de Operações do Ibama, Henrique Tremante.
Sobre o peixe-boi da Amazônia
O Instituto Chico Mendes explica que o peixe-boi-da-amazônia é o maior herbívoro de água doce sul-americano e existindo somente na bacia Amazônica. Funciona como verdadeiro adubador do ambiente aquático, reduzindo a biomassa verde flutuante em partículas menores e em nutrientes bem pequenos, favorecendo toda a cadeia trófica. A alimentação da espécie se dá por plantas aquáticas, raízes e vegetação de áreas alagadas.
O pico de nascimentos ocorre no início da maré cheia, período em que o alimento é mais abundante, assegurando às fêmeas o restabelecimento das condições fisiológicas da gestação e lactação. A gestação é de 12 meses. As fêmeas atingem a maturidade sexual após os 6 anos de idade e geram um filhote a cada gestação, amamentando-o por no mínimo dois anos.
O intervalo entre nascimentos é de pelo menos três anos, o que revela baixa taxa reprodutiva, dificultando ainda mais a recuperação das populações.

Fonte/Foto: portalamazonia.com.br/Divulgação - Ampa

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