ONDÓGRAFO SERÁ USADO PARA MONITORAR BANZEIROS NO RIO NEGRO
A
utilização do equipamento servirá para medir altura, direção e força das ondas
do rio (conhecidas como banzeiros). O ondógrafo (foto ao lado), que começa a funcionar em
outubro, deve colaborar diretamente com
a segurança da navegação no Amazonas
Tornou-se
comum no Amazonas dizer que “o rio Negro é perigoso”, especialmente na foz do
rio Solimões, a partir do arquipélago de Anavilhanas até Manaus, cujo tempo de
viagem em barco regional é de quatro horas.
Mais
do que lugar comum, navegar pelo Negro no trecho próximo da capital é realmente
perigoso, não pelo rio em si, mas por questões atmosféricas, sobretudo as
ocorrências de tempestades que provocam rajadas de vento e estas, banzeiros
(ondas fluviais) muito elevados. Nesta época do ano, o risco de uma embarcação
inclinar, emborcar e até mesmo naufragar se intensifica.
Um
equipamento, contudo, vai tornar as viagens pelo rio Negro mais tranquilas,
especialmente para quem navega nas proximidades da capital amazonense.
Adquirido pelo projeto Rede de Monitoramento Ambiental e Pesquisa de Fenômenos
Meteorológicos Extremos na Amazonia – Remam 2, o ondógrafo vai monitorar as
condições do rio Negro, registrando os níveis dos banzeiros, sua altura,
direção e período.
O
equipamento, importado dos Estados Unidos com recursos da Financiadora de
Estudos e Projetos (Finep), chegou a Manaus em agosto passado. Sua instalação
aguarda apenas a autorização da Marinha do Brasil.
No
próximo dia 20, os coordenadores do projeto realizam uma reunião com a
Capitania dos Portos para definir os últimos ajustes e confirmar a data da
instalação, prevista para ocorrer na primeira semana de outubro.
Tempestade
Semelhante
a uma bóia, o ondógrafo será instalado na margem direita do rio Negro, em frente
à praia da Ponta Negra, próximo à Vila do Piracatuba, onde já existe uma
estação fluviométrica do Serviço Geológico do Brasil (CPRM), um dos órgãos que
integram o projeto Remam 2, junto com o Sistema de Proteção da Amazônia (Sipam)
e Universidade Federal do Amazonas (Ufam). A outra estação será na área da
comunidade Jatuarana, no rio Solimões, zona rural de Manaus.
O
superintendente do CPRM, Marco Antônio Oliveira, diz que o projeto vai aumentar
a segurança da navegação no Amazonas. Oliveira explica que enquanto o radar das
duas estações prevê a vinda de uma tempestade e a velocidade do vento, muito
comum nos meses de agosto, setembro e outubro, o ondógrafo vai gerar
informações da superfície do rio.
Os
dados serão monitorados em tempo real e repassados para o Sipam, que se
encarregará de enviar as informações para a Defesa Civil e para a Capitania dos
Portos.
“A
gente espera conseguir uma correlação de informações entre o vento e a altura
das ondas. Isso permitirá dar alertas sobre a vinda de tempestade e de formação
de banzeiros”, destacou Oliveira.
O
alcance do radar das estações será de até 200 quilômetros. Esta abrangência
será suficiente para indicar a formação de nuvens de tempestade e anunciar a
previsão de amplitude. Como ainda é um modelo inédito, será necessário
construir uma série de dados para os anos futuros. Desta forma, com o tempo,
será possível estabelecer parâmetros como já ocorre com a medição das cotas dos
rios. As primeiras aferições, contudo, já serão realizadas tão logo o ondógrafo
seja instalado.
A
reportagem tentou obter mais informações junto à administração da Capitania dos
Portos. A assessoria de comunicação do órgão disse que somente o capitão dos
portos, que chegaria à Manaus na sexta-feira (14), poderia falar. Até o
fechamento desta edição, não houve retorno da Capitania dos Portos.
Perigo
Não
é lenda a história de que a navegação é perigosa perto de Manaus. A ciência
comprova que sim, é um risco tentar enfrentar uma tempestade quando você está
próximo da capital. O geógrafo e doutor em climatologia Francisco Evandro
Aguiar, da Ufam, diz que descendo, o Negro torna-se mais largo do que a parte à
montante (acima) do arquipélago de Anavilhanas. O nível da correnteza até a foz
no rio Solimões é mais suave, fazendo com que o rio possa ser considerado, por
essas características, um rio de planície, ou seja, quase sem desnível.
“Esse
aspecto só se evidencia no baixo curso do rio Negro, porque no médio e no alto
curso ele é um rio bem acidentado, com cachoeiras e corredeiras. O rio sendo
largo e lento permite que qualquer ventania mais intensa encrespe as suas águas
fazendo-o mais perigoso e mais cheio de ondas. Isso, porém, só de dá com fortes
ventos ou tempestades, muito comuns nesta época do ano”, explica Aguiar, que
integra a equipe do projeto Remam 2.
Especialista
em fenômenos meteorológicos, Aguiar vai atuar nos estudos dos efeitos das
tempestades no baixo curso do rio Negro, a parte mais larga do principal
afluente do rio Amazonas. Sua atuação também na área acadêmica, com incentivo
às pesquisas na área.
“Com
este projeto, a gente vai saber os efeitos causados pelas tempestades.
Poderemos lançar um alerta. Por isso vamos ter o equipamento permanentemente
instalado e funcionando em tempo real”, explicou Aguiar.
Nas
proximidades de Manaus, o rio Negro tem a sua bacia mais larga. Entre o píer do
Hotel Tropical e a margem direita chega a ter 12 quilômetros de largura na
época da cheia. Na época da vazante, continua larga e a navegação torna-se mais
perigosa devido às chuvas intensas e rápidas características da época, com
ventos fortes, muitas das vezes sem direção certa.
Características
O
ondógrafo adquirido pelo Remam configura-se um sinal náutico flutuante cego em
forma de bóia direcional, com 0,9cm de diâmetro e bateria com autonomia de três
anos, medidor de temperatura superficial, GPS, datalogger de 256 mb e antena.
Com
acesso remoto, a bóia poderá ser monitorada em tempo real via rádio VDF ou SM
onde a cobertura permita. A informação recolhida permitirá a sua divulgação em
tempo real, estabelecer a climatologia de agitação marítima na Região do rio
Negro.
O
ondógrafo também vai alimentar, calibrar e verificar os modelos meteorológicos
e de previsão de agitação fluvial a desenvolver.
Fonte/Foto: Elaíze Farias – Portal A Critica/Clóvis Miranda


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