O CÍRIO E O PARÁ PRECISAM SER DIVULGADOS
Eles
têm tempo e dinheiro, mas ainda não visitam outros municípios paraenses. É o
que revela a pesquisa de demanda turística que traça um perfil sobre os
turistas que visitam Belém durante a festa do Círio. A pesquisa ouviu 800
turistas durante os três dias de maior movimento da festa no ano passado –
sexta-feira, sábado e segundo domingo de outubro. Além de traçar o perfil da
demanda dos turistas, o estudo visa a formação de um banco de dados que sirvam
de indicadores para o desenvolvimento do turismo. As informações foram
apresentadas, na manhã de ontem, pela Secretaria Estadual de Turismo e pelo
Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese)
Regional Pará, responsáveis pelo levantamento.
Diferente
de 2010, o Círio 2011 foi marcado pelo leve predomínio das mulheres, que
responderam por 52% do total, e pelo crescente “amadurecimento” dos visitantes.
Mais de 70% deles estão na faixa etária superior aos 35 anos, com destaque para
os idosos de mais de 65 anos que quase duplicaram no intervalo de um ano.
Saltaram de 6,30%, em 2010, para 12,12%, no ano passado. “Os números dizem
muito e servem para orientar governo e empresariado na formatação de novas
políticas que podem ser públicas ou não. Saber que há mais mulheres que homens,
por exemplo, pode servir na hora de se pensar estratégias simples, mas
importantes, como a distribuição de banheiros químicos ao longo do trajeto da
procissão”, lembrou Roberto Sena, supervisor técnico do Dieese.
Em
relação às cidades origem dos turistas, São Paulo, Maranhão e Rio de Janeiro
assumem o topo, representando juntos 33,33% do total de entrevistados que na
expressiva maioria utilizam o avião como principal meio de transporte para
chegar até Belém (69,70%).
Dos
24 itens totais da pesquisa, entretanto, dois chamam especial atenção e indicam
grandes desafios a serem ainda superados. O primeiro deles diz respeito ao fato
de que, para a maior parte dos turistas, o principal meio de divulgação do
evento, 42,80%, continua sendo amigos e parentes. Apenas 3,79% dos pesquisados
revelaram ter se informado através da internet. O segundo está ligado a
eventuais visitas a outros municípios que poderiam atrair parte desses
turistas. Apesar de um ligeiro acréscimo em relação a 2010, o número de pessoas
vindas de outros estados brasileiros que conhecem outras cidades paraenses
durante a viagem do Círio ainda é pequeno, 34,9%. “Existem desafios, é claro,
mas estamos no rumo certo na busca de soluções. Com essas informações em mãos
vamos fortalecer ainda mais o plano de marketing do Estado que já consta no
plano estratégico de turismo; e, em relação à concentração das visitas ao polo
Belém, acredito que muito se deve também ao modelo das agências de viagem, que
ainda precisam investir mais no receptivo dos demais polos turísticos. Esse é
nosso desafio daqui pra frente”, justificou o secretário estadual de Turismo,
Adenauer Góes.
A
segunda etapa do levantamento apresentado pela Setur, Paratur e Dieese
considerou também os aspectos econômicos oriundos do Círio. A estimativa é de
que para este ano haja um aumento de 5,56% no número de turistas, alcançando-se
a expressiva marca dos 76 mil visitantes de outros estados durante toda a
quadra nazarena, gerando um gasto estimativo na ordem de U$ 28 milhões. No ano
passado, cerca 72 mil turistas passaram por Belém, deixando na economia local
algo em torno de U$ 26 milhões.
Em
relação às admissões ocorridas nas atividades ligadas ao turismo em todo o
Estado, estima-se que tenham sido criados uma média de 25 mil postos de
trabalho formais, ligados a transporte, alojamentos, alimentação, agências de
viagem, cultura e lazer.
Considerando-se
os empregos informais e o funcionalismo público vinculado ao segmento,
acredita-se que esse número chegue a dobrar. “O turismo tem crescido na região,
mas ainda temos limitações. Especialmente em relação ao Círio, acredito que
ainda falta uma divulgação permanente durante todo o ano para que haja o
atrativo em todas as regiões do país e se perca esse caráter do boca a boca,
apenas. Em relação ao turismo no interior, esbarramos na ainda pequena
infraestrutura. Os principais eixos de atração de turistas no Pará hoje são
Belém, Alter do Chão e Marajó. Nos dois primeiros existe uma boa estrutura, mas
no Marajó, que hoje é uma marca maior que o Pará, ainda falta muito”, disse
evitando a crítica o vice-presidente da Associação Brasileira das Agências de
Viagens (Abav).
Fonte/Foto: Diário do Pará/Adauto Rodrigues


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