TRÁFICO DE PESSOAS NO ESPORTE TRANSFORMA SONHOS EM PESADELOS
Brasília/DF
- “Estão transformando sonhos em pesadelos”, afirmou a jornalista Daisy Cristina
da Silva Costa, que do interior do Pará, realiza há quatro anos uma
investigação independente acerca de casos de tráfico de pessoas no país. Daisy
foi ouvida em audiência nesta terça-feira (7), pela Comissão Parlamentar de
Inquérito (CPI) da Câmara Federal, que trata do Tráfico Humano no país, e onde
revelou dados impactantes de como este tipo de crime, que flui livremente nos
subterrâneos da sociedade, opera nos meios esportivos, salvaguardado pela
inexistência de fiscalização.
A
jornalista paraense, que trabalha na cidade de Santa Isabel (PA), disse aos
parlamentares como as redes de aliciamento funcionam, principalmente no
futebol, recrutando possíveis jogadores em localidades carentes de toda região
Norte brasileira. “Eles (os aliciadores) conhecem a realidade das famílias -
algumas com renda diária de menos 30 reais -, e não encontram dificuldades em
vender esperança para pais e mães, que desejam um futuro melhor para seus
filhos, mesmo que isso signifique deixá-los nas mãos de desconhecidos, que os
levarão para outros Estados ou até mesmo outros países”, disse. Atletas de
sucesso como Neymar ou Ganso, seriam citados pelos aliciadores como forma de
conseguir convencer as famílias a deixarem seus filhos seguirem carreira sob
sua proteção.
Em
sua investigação, Daisy descobriu que há uma rede de escolinhas em pequenos
clubes de futebol de interior, onde acontece um “intercâmbio” de jovens e
adolescentes de vários Estados, cujo intenção é enviá-los para países da Europa
e do Oriente Médio. “O principal objetivo é o lucro com as negociações e com o
sucesso do atleta, mas nem sempre esta realidade se concretiza, ocorrendo por
vezes o abandono do atleta no exterior, que por vezes tem que sobreviver em
outras atividades, recorrendo inclusive à prostituição, até com mudança de
sexo”, relatou a jornalista, citando casos ocorridos com dois adolescentes do
Piauí e do Espírito Santo. Os aliciadores também teriam como alvo, as escolas e
até grupos de igreja, onde há concentração de adolescentes.
De
acordo com a jornalista, no futebol está a maior ocorrência dos casos de
exploração e tráfico de pessoas, mas em outros esportes a prática também foi
detectada, por conta do aliciamento de meninas para a ginástica olímpica ou
grupos de danças folclóricas. Seu trabalho resultará em um documentário e um
relatório, que será divulgado para a imprensa e autoridades. ”É preciso que a
sociedade dê mais atenção para este tipo de crime, que por medo, vergonha ou
falta de conhecimento das vítimas, ocorre impunemente em todo o país”, finalizou
a jovem jornalista, que já enfrenta perseguição de políticos e até de
representantes da lei em sua região, por seu trabalho.
Daisy
Costa ainda promove a exibição de filmes em escolas e palestras de
esclarecimento sobre o tráfico de pessoas, para mulheres e pais de
adolescentes, objetivando o alerta e a conscientização de possíveis vítimas das
quadrilhas internacionais que faturam mais de 30 bilhões de dólares, segundo
entidades de direitos humanos.
Segundo
o deputado Arnaldo Jordy (PPS/PA), que preside a CPI, o ambiente esportivo tem
sido alvo das quadrilhas especializadas em enviar garotos para o exterior e
entre os Estados. “Este é um trabalho de cunho próprio realizado com um esforço
muito grande e que reuniu denúncias concretas. O tráfico no meio esportivo é
muito mais recorrente do que imaginamos”, afirmou o parlamentar, que incluirá o
depoimento da jornalista no relatório que a Comissão preparará e que conterá
sugestões para as autoridades, modo a aperfeiçoar o combate ao crime.
A
CPI, instalada em abril na Câmara dos Deputados, tem como objetivo
conscientizar, debater e propor formas de combate até mesmo novas Leis para a
interrupção deste crime, que atinge cerca de 4 milhões de pessoas em todo
planeta.
Fonte/Foto: Assessoria de Comunicação - Gabinete Dep. Arnaldo
Jordy

Nenhum comentário:
Postar um comentário