PARÁ: DOR E COMOÇÃO NO ENTERRO DE SETE JOVENS
A cada aproximação de familiares e amigos, a dor da perda brusca e
ainda pouco assimilada. Na caminhada até o local do enterro de sete das dez
vítimas do acidente na última segunda-feira com um ônibus de turismo que levava
universitários a um congresso de ciência da computação, em Curitiba (PR), o
clima era de muita tristeza e desespero. Durante o enterro realizado ontem em
Marituba, os corpos dos jovens foram acompanhados em cerimônias individuais,
mas em espaços preparados um ao lado do outro. Após o enterro do universitário
Wilson Louzeiro Evangelista, o primeiro, familiares do estudante Felipe José
Barros Amim prestavam as últimas homenagens ainda na capela do cemitério. Com a
voz seca e engasgada pelo choro, a mãe do estudante, Valcirene Barros, entoou a
música que, dias antes, o filho lhe cantou em homenagem. “Meu coração, não sei
por que, bate feliz quando te vê...”. Sempre amparada por amigos, dona
Valcirene guardava as lembranças felizes do filho. “Ele era maravilhoso! Era
muito carinhoso comigo. Ele dizia que ia trabalhar para me ajudar. Ele viveu
para mim, mas eu estou bem porque sei que ele está bem também”.
A professora de Felipe e amiga da família Lucicléia Santos também
lembrou da personalidade do jovem, que tinha apenas 20 anos. “Você sempre foi
um filho de ouro e um bom aluno. Tive o privilégio de ser sua professora,
Felipe”, dizia. “Ele era muito devoto de Nossa Senhora e foi acolhido ao lado
de Maria Santíssima, tenho certeza”.
A família da estudante Thamyres dos Santos Oliveira prestou as
últimas homenagens à jovem de forma reservada na capela do cemitério. Depois,
muito emocionado, o pai da jovem, José Oliveira, fez questão de jogar um pouco
de terra em cima do caixão da filha, enterrada ao lado de mais duas vítimas.
Sem condições emocionais de continuar, ele foi amparado até um local com
sombra. Enquanto familiares ainda colocavam flores em cima do túmulo de
Thamyres, parentes e amigos da universitária Darlyce da Lima Cavalcante se
aproximavam do local, quando os corpos das estudantes eram enterrados ao mesmo
tempo. Em sinal de respeito, familiares de Tamyres acompanharam as últimas
homenagens feitas à Darlyce. “Quem vamos sepultar hoje, aqui, é apenas a
matéria, porque a Darlyce está viva, assim como todos eles estão. Só que agora
eles estão vivos na casa do Senhor”, dizia o ministro da Paróquia de Aparecida
e primo de Darlyce, Felipe Monteiro. Amparando a mãe da jovem que mantinha as
mãos enroladas em um terço em cima do peito, o amigo da família encontrava
conforto na certeza de que Darlyce estava em um lugar melhor. “Isso é o que
conforta e era nisso que a Darlyce acreditava”.
Carregado por familiares, o caixão com o corpo do jovem Leonardo
Lopes Couto também trazia uma bandeira da Força Jovem da Terra Firme, grupo da
igreja da qual fazia parte e havia se tornado obreiro. Amigos e parentes
traziam nas camisas a imagem do estudante sorrindo. “A lembrança que vamos
levar dele é a de um garoto sempre sorridente e disposto a ajudar”, dizia a
amiga de Leonardo, Valdirene Nascimento.
Bastante emocionados, os pais da estudante Ivana Dias Rosa, de
apenas 15 anos, se reservaram na companhia dos familiares e preferiram não
falar com a imprensa. Acompanhando a dor da família, a vizinha e amiga de
Ivana, Maria José Gonçalves, lamentava a perda. “Vi a Ivana nascer, crescer...
ela sempre foi uma menina muito alegre, sossegada. A família está muito
abalada”.
Debruçado sobre o caixão do filho Sivaldo Miranda do Nascimento
Júnior, o pedreiro Sivaldo Miranda precisou do apoio de parentes para manter-se
em pé e conversar com o filho enquanto o caixão descia. “Só Deus sabe, meu
filho. Só Deus sabe...”. Com o sol forte na manhã de ontem, Sivaldo precisou
sentar à sombra e receber cuidados de psicólogas que apoiaram as famílias
durante o enterro. Em torno do túmulo de Sivaldo Júnior, amigos choravam muito
pela perda. “Vou lembrar de vários momentos que passamos juntos quando íamos
jogar bola, passear...”, disse o amigo Douglas Santos. “A grande luta do
Sivaldo era para trabalhar e ajudar a família. Espero que a família nunca deixe
de lutar por esse sonho dele”, emocionava-se a também amiga Deyse Cardoso.
Dos treze universitários santarenos envolvidos no acidente,
chegaram ontem a Santarém Camila Aquino Aguiar, Jackeline Cardoso da Luz e
Michael Lopes Tenório, que sofreram ferimentos leves.
Fonte/Foto:
Diário do Pará/Everaldo Nascimento


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