MP/PA ACUMULA DENÚNCIAS CONTRA CANDIDATOS
Promotor Nélio Caetano Silva diz que MP está atento e trabalhando
para coibir
A campanha eleitoral mal começou – está nas ruas há menos de um
mês -, porém, o Ministério já acumula várias denúncias de irregularidades
cometidas por candidatos, especialmente, prefeitos que disputam a reeleição. “O
uso da máquina pública, o chamado abuso de poder político e de autoridade, além
da prática de condutas vedadas causam grande preocupação. O Ministério Público
está atento e trabalhando para coibir”, assegura o coordenador das Promotorias
Eleitorais, promotor Nélio Caetano Silva.
Ele ressalta que o Ministério Público já constatou e está tomando
providências contra um prefeito, candidato à reeleição, que distratou
servidores temporários com data retroativa para tentar driblar o período vedado
pela legislação e ainda contratou os mesmos trabalhadores, também com data
retroativa, desta vez como funcionários terceirizados, através de empresas que
prestam serviço à prefeitura, um flagrante crime eleitoral, vedado pela
legislação. Outra prática muito comum ainda na campanha eleitoral é o uso da
máquina pública para se reelegerem ou para eleger seus candidatos.
Segundo Nélio Caetano, em todo o Pará, 104 promotores eleitorais
atuam este ano nas eleições municipais, em parceria com o procurador regional
eleitoral, Igor Nery Figueiredo. Somente na capital, maior colégio eleitoral do
Estado e também onde a demanda eleitoral é maior, os promotores foram agrupados
por temas para melhor atuar no processo eleitoral, de acordo o coordenador. São
grupos específicos para atuar na fase do registro de candidatura, propaganda e
prestação de contas, seguindo a Resolução 5039/2012 do Tribunal Regional
Eleitoral (TRE/PA).
REGISTRO
Até o final de agosto os juízes eleitorais devem concluir o
processo de julgamento dos pedidos de registro de candidatura. Somente em Belém
foram protocolados 850 requerimentos de candidaturas e de acordo com Nélio
Caetano, os promotores já concluíram parecer para 484 deles.
Desses, houve pedido de impugnação a dois deles, baseada na Lei da
Ficha Limpa. Outras impugnações foram apresentadas por partidos e em muitos
casos, o próprio sistema de candidatura do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) já
detecta automaticamente falhas no processo e exclui o candidato em seguida por
documentação incompleta, após o juiz eleitoral ter dado prazo para o candidato
apresentar os dados completos. Os recursos dos registros impugnados serão
julgados pelo TRE/PA.
PROPAGANDA
A partir de 21 de agosto a propaganda eleitoral começa a ser
veiculada na mídia em todo o País, mostrando candidatos a prefeitos e
vereadores. O promotor enfatiza que todos os ângulos devem ser analisados pelo
Ministério Público. “Há regras a serem cumpridas, que os candidatos têm que
observar”, sustenta o coordenador da Promotoria Eleitoral. Além disso, também a
partir do próximo mês a campanha nas ruas começará a ser acirrada, tornando o
trabalho dos promotores mais árduos.
Antes de iniciar o processo eleitoral os promotores se reuniram
para receber orientações gerais repassadas pelo coordenador e procurador
regional eleitoral. Em setembro, informa Nélio Caetano, haverá o segundo módulo
do curso preparatório eleitoral com ênfase nas mudanças na legislação para as
eleições deste ano.
Uma das principais mudanças é a aplicação da Lei Complementar
135/2010, Lei da Ficha Limpa, considerada pelo promotor como uma conquista da
sociedade brasileira, que exclui do processo eleitoral os gestores com contas
de gestão rejeitadas pela justiça em último grau. Porém, Nélio Caetano acredita
que a nova lei ainda enfrentará muita resistência e no primeiro momento haverá
muitos recursos contra as decisões da justiça eleitoral. No entanto, ele
vislumbra um amadurecimento dos partidos e candidatos nas eleições seguintes.
“A cobrança da sociedade é pela melhoria da qualidade dos políticos”, acentua o
promotor.
Fonte/Foto:
Diário do Pará


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