ÍNDIOS ENTRAM EM CONFLITO POR VERBAS

Ontem, quinta-feira (19), Dia do Índio, deveria ser de festa nas tribos de todo o país, ou de reivindicação às autoridades em relação ao cuidado com os indígenas. Mas o dia foi de conflitos entre os próprios índios em Bom Jesus do Tocantins, no sudeste do Estado. O pior: eram todos da mesma tribo.
Ao contrário do que ocorria antes, quando as disputas internas eram pela honra de liderar uma tribo, a briga agora é por dinheiro. Logo nas primeiras horas da manhã, indígenas do povo Gavião Kykatêjê que habitam na aldeia Mãe Maria, em Bom Jesus do Tocantins, fecharam a entrada da aldeia. A tribo, que tem 333 índios adultos, está dividida ao meio entre os que apoiam a atual administração e os que são contra.
Desde 2001 a mineradora Vale, a título de compensação por usar parte da aldeia com a Estrada de Ferro Carajás, repassa altos valores para a associação dos índios Gavião. São R$ 280 mil por mês para alimentação e despesas de saúde e mais R$ 119 mil, também mensais, para custear um projeto agrícola. Além disso, a Vale repassa outros R$ 10 mil mensais para serem depositados numa poupança. O montante hoje já chegaria perto de R$ 1,4 milhão.
Mas metade da aldeia está insatisfeita com a forma como o recurso vem sendo administrado e teria destituído, em assembleia geral, a atual diretoria, que já está no poder há mais de 10 anos, contrariando o estatuto da entidade.
Estranhamente, a nova ata com a mudança na diretoria não foi encaminhada pela Funai para a Caixa Econômica Federal, que detém o recurso. Na ata, foi substituído apenas o nome do tesoureiro, segundo informou o advogado Haroldo Silva Júnior, presidente da subseção da OAB, que acompanha o caso.
Com isso, a parte que se sentiu prejudicada resolveu radicalizar e fechar a entrada da aldeia quinta-feira (19) durante todo o dia. O clima era tenso no local e, até o final da tarde, ainda não havia consenso.
Eles querem pelo menos um acordo com a atual diretoria, que se nega a fazê-lo. Já houve duas reuniões no Ministério Público Federal (MPF) e nada foi resolvido. O advogado Haroldo Júnior teme que a situação fique ainda pior e culpa a Funai pelo que está acontecendo. Já o administrador da Funai na área, Carlos Borromeu, não estava em Marabá para falar sobre o assunto. Ele viajou em missão.

Fonte: Diário do Pará

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