IMAGENS DA AMAZÔNIA: CARRO É TRANSPORTADO EM CANOA DE MADEIRA NA ZONA OESTE DE MANAUS

O barco tinha como destino a comunidade de Agrovila, no rio Tarumã-mirim.
Segundo os moradores, materiais de construção e até mesmo outras canoas são transportadas em pequenas lanchas diariamente.


Uma cena inusitada chamou a atenção de quem passou pela Marina do Davi, no bairro Tarumã, Zona Oeste de Manaus, no início da manhã desta quarta-feira (21). Diante dos obstáculos no acesso às comunidades da Zona Rural, o lanterneiro Edivaldo Marques Diniz, 48, decidiu transportar um carro em uma canoa de madeira.
Equipada com um motor com potência de 13 hp – popularmente conhecida como ‘rabeta’ -, a canoa guiada pelo próprio Edivaldo recebeu um suporte improvisado com tábuas para comportar a camionete modelo Fiat, comprada pelo lanterneiro há dois meses. “Não tem como levar para a comunidade porque é do outro lado do rio, então o jeito foi improvisar. O pessoal ajudou e a gente colocou o carro na canoa mesmo”, contou Edivaldo.
A viagem da Marina do Davi até a comunidade de Agrovila, no rio Tarumã-mirim, dura cerca de uma hora e meia, segundo Edivaldo. O horário escolhido para  partida, por volta de 7h, não foi à toa: nesse horário dificilmente ele precisará passar por uma fiscalização. “Mas dependendo dos banzeiros pode demorar mais. Tem que ir devagar pra não balançar e o carro ir para o fundo”, disse.
Na comunidade, o veículo deve poupar os moradores de uma longa caminhada: cerca de uma hora e meia do leito do rio na época de seca até a propriedade dele. “Até para transportar a produção fica mais fácil”, relatou.
O improviso faz parte do cotidiano de quem vive nas comunidades da zona rural e também de quem trabalha na Marina do Davi, contou Janderlei Seixas Tomé, proprietário do barco utilizado por Edivaldo. Materiais de construção, ferro, madeira e até outras canoas são transportadas sobre pequenas lanchas e voadeiras diariamente.
“Não tem outro meio de transporte, então tem que dar um jeitinho de levar tudo que precisa. Esta canoa já transportou 130 telhas em uma viagem e 33 pessoas em outra”, lembrou Janderlei, justificando que o grupo de pessoas ficou “ilhado”.

Fonte/Foto: Mônica Prestes – acrítica / Márcio Silva

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