Deu tudo certo: em abril, a inflação americana desacelerou exatamente como previsto pela bola de cristal dos analistas, para 4,9% nos últimos doze meses, e deu esperanças quase unânimes de que o Fed vai interromper o ciclo de alta dos juros em sua próxima reunião: 91,5% de probabilidade, de acordo com a plataforma de monitoramento do CME Group. Esse otimismo de ontem permanece e os futuros de Nova York amanheceram em alta (ou quase isso: o Dow sustentou o mau humor do pregão de quarta e estava em ligeiríssima queda de 0,01% às 8h da manhã). Fala-se até em início do ciclo de cortes a partir de setembro – haja carro para pôr na frente dos bois. Hoje saem a inflação ao produtor (PPI) de abril e os pedidos de auxílio-desemprego, dois termômetros macroeconômicos que servirão para calibrar melhor as expectativas para o próximo Fomc. Talvez alguns bois passem para trás do carro. Não reina o mesmo otimismo na Europa. O banco central do Reino Unido, que ainda lida com uma inflação de 10,1% ao ano, acabou de anunciar, às 8h da manhã, uma alta de 0,25 ponto percentual em sua taxa básica – que, agora, está em 4,5%. Faz sete meses que o dado do Rei Charles está travado em dois dígitos, oscilando dentro dos 10% (com uma exceção: outubro, quando o número bateu 11,1%). A zona do euro, com 7% de alta nos preços em abril, vai um pouco melhor, mas não o suficiente para o BCE anunciar o fim do ciclo de alta. Por aqui, o Congresso está se dedicando a modificar o texto original do novo arcabouço fiscal. Um dos objetivos é impor sanções mais duras caso o Executivo descumpra o limite de crescimento dos gastos ano a ano. No texto atual, o aumento nas despesas deve ficar em, no máximo, 70% da variação das receitas. Ou seja: quando entrarem R$ 10 a mais, o governo poderá gastar R$ 7 a mais em relação ao ano anterior. Em caso de descumprimento dessa meta, a punição é uma queda de 70% para 50% das receitas no ano seguinte. Mas nada acontece no presente. O texto de Haddad também prevê que as despesas não possam crescer mais de 0,6% ao ano acima do IPCA em épocas de contração do PIB (quando a economia está crescendo, por outro lado, o limite sobe para 2,5%). Os deputados querem que um eventual estouro engatilhe automaticamente medidas mais práticas para pôr ordem na casa – como, por exemplo, a obrigação de bloquear despesas emergencialmente para atingir a meta e proibições para aumentos salariais acima da inflação aos servidores públicos. Está fora de questão, porém, transformar o descumprimento das regras fiscais em crime de responsabilidade. Enquanto isso, a Faria Lima está calma com a indicação de Galípolo para uma cadeira com voto no Copom. Sua turnê de entrevistas tranquilizou os coletinhos: o economista, ao que tudo indica, tem uma relação cordial com Campos Neto e não pretende forçar a barra além da conta no debate em torno da Selic – ainda que, de acordo com apuração da coluna de Mônica Bergamo, ele vá trabalhar para moderar o tom de documentos importantes para o mercado, como a ata do Copom. Por fim, o dia promete ser animado para as ações ligadas a commodities. O minério de ferro está em queda vertiginosa de 4,74% na bolsa de Cingapura, o que geralmente não faz bem para Vale e companhia. Enquanto isso, o mercado prende a respiração para o balanço do primeiro trimestre da Petrobras, que não fará preço hoje, porque sai só após o final do pregão. Ele não está sozinho: B3, Cogna, MRV e outras oito empresas também anunciam seus resultados hoje à noite. Veja a lista completa na seção “temporada de balanços”, aqui embaixo. Bom dia e bons negócios, |
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