DECISÕES FEDERAIS PODEM CAUSAR ROMBO EM PREFEITURAS DO PARÁ
Municípios de todo país já sentem os impactos de votações do Congresso Nacional, decisões do Poder Judiciário e ações do Executivo, diz CNM
Paulo Ziulkoski, presidente da CNM, alerta que efeito será a
prestação de serviços precarizados e menor verba para atender à população |
Alan Marques/Folhapress
As sucessivas votações de matérias legislativas que interferem nas
finanças municipais podem gerar um rombo de mais de 11 bilhões nas contas das
prefeituras do Pará. Esse dado faz parte de um levantamento feito pela
Confederação Nacional dos Municípios (CNM), e divulgado ontem, 4, em entrevista
coletiva pelo presidente da entidade Paulo Ziulkoski. Segundo a CNM, desde
dezembro do ano passado um acúmulo de votações do Congresso Nacional, decisões
do Poder Judiciário e decretos, entre outras ações, assinados pelo presidente
da República, podem fazer com que os municípios percam mais de R$ 250 bilhões
por ano, numa combinação de aumento de despesas e diminuição de receitas.
De acordo com o presidente da CNM, considerando apenas as novas
leis aprovadas pelo Congresso Nacional, além dos decretos do governo federal,
todos com efeito imediato, o impacto já é de perda de R$ 73,1 bilhões anuais. O
levantamento contabiliza uma série de projetos e iniciativas classificadas pela
Confederação como “pautas graves”. Ziulkoski destacou o conjunto de medidas que
estão sendo discutidas no Congresso; pelo Executivo federal e no Supremo
Tribunal Federal, que começam a provocar grandes perdas de recursos.
Ao apresentar o estudo, Paulo Ziulkoski enfatizou a importância de
dar transparência ao cenário para que a população compreenda a consequência de
cada medida, especialmente com cunho eleitoreiro. “O nosso papel é dar
transparência desses números à sociedade e disponibilizar para todos os 5.568
Municípios transmitirem à comunidade o impacto que está tendo lá na ponta.” O
presidente da CNM enfatiza que saúde e educação serão os mais afetados. “Apenas
o potencial impacto de medidas do Executivo e do Legislativo sobre as finanças
municipais (R$ 136,3 bilhões/ano) corresponde a 16,7% da Receita Corrente
Líquida dos Municípios em 2022”, informa o documento divulgado pela entidade.
DESPESAS
A CNM alertou ainda que não há expectativa de crescimento da
arrecadação no próximo ano, mas que as instâncias federais estão criando
despesas estruturais para os municípios. Exemplo disso, destacou o presidente
da Confederação, são as dezenas de propostas de criação de pisos salariais –
projetos desse tipo de tramitam no Congresso representam impacto de R$ 44,1
bilhões, fora outros R$ 11,38 bilhões de despesas já aprovadas com reajuste do
piso de agentes de saúde e de endemias e criação do piso da enfermagem e R$
30,46 bilhões do piso do magistério.
O efeito disso nos municípios, alerta, será a prestação de
serviços precarizados e menor verba para atender à população. “Quem atende na
ponta é a prefeitura, sem recurso teremos queda de qualidade nos serviços, no
transporte e na merenda escolar, dificuldade no pagamento de funcionários,
entre outras complicações”, exemplifica.
CORPO A CORPO
Uma das soluções, de acordo com o presidente da Confederação, é a
aprovação da proposta de emenda à Constituição (PEC) 122/2015, que proíbe a
União de criar encargos financeiros para os entes subnacionais sem previsão de
transferência para o seu custeio. A matéria aguarda deliberação do Plenário da
Câmara.
“A redução permanente da arrecadação de impostos municipais, pode
gerar, em breve, em caso de reversão do desempenho da arrecadação, dificuldade
do cumprimento dos compromissos com os serviços essenciais pelos entes subnacionais”,
revelou a entidade.
Com esse objetivo, a CNM quer trazer para Brasília nesta terça, 5,
centenas de prefeitos que possam intensificar o trabalho de corpo a corpo com
os parlamentares no Congresso Nacional.
PARA ENTENDER
- O estudo da CNM considerou quatro pautas no Supremo Tribunal
Federal (STF) que podem afetar ainda mais as finanças municipais, entre elas a
ADI 7.164 que tem impacto imediato sob a cota-parte municipal de R$ 1,21
bilhão. O STF já decidiu que os demais combustíveis devem adotar regra de
transição similar à do diesel, prevista na LC 192/2022.
- Aguardando decisão do Plenário do STF, outras três medidas
representam R$ 113,07 bilhões de perdas: a ADI 5.835 com liminar que impede a
redistribuição dos recursos do ISS de cartões de crédito e débito, de planos de
saúde, de leasing e outros (R$ 16,33 bilhões que deixam de chegar aos
municípios); o RE 1008166 com obrigatoriedade de oferta de creche para crianças
de 0 a 5 anos (R$ 90,84 bilhões); e a ADI 4.917 que está impedindo o
cumprimento da Lei dos Royalties e o referido repasse aos entes federados,
causando prejuízo acumulado de R$ 5,90 bilhões.
Fonte: DOL


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