PARA NÃO ESQUECER: TRÊS ANOS DEPOIS, O LUTO PELAS VÍTIMAS FATAIS DA NOITE MAIS TRÁGICA DO TRÂNSITO DE MANAUS-AM
Confira o relato dos familiares das vítimas fatais do acidente que
aconteceu no dia 28 de março de 2014, quando um caminhão colidiu com um
micro-ônibus na Djalma Batista
Três
anos se passaram do dia 28 de março de 2014, mas o luto das famílias das
vítimas fatais do acidente entre um caminhão e um micro-ônibus na Avenida
Djalma Batista, Zona Centro-Sul de Manaus, continua o mesmo. Apesar do tempo, a
saudade e as lembranças permanecem dentro do coração dos entes queridos. A dor
ainda existe.
Muito
abalada ao lembrar da filha Quézia Guedes, 24, e do neto Luiz Miguel, um ano e
seis meses, que morreram durante o acidente, Francinei de Guedes, 50, comenta
que acredita que a “ferida da perda” nunca será cicatrizada. Nesta terça-feira
(28), foi realizada uma missa em memória às vítimas no Parque do Idoso.
“Lembro
do dia do acidente e só consigo pensar que imaginei que a cidade estava em
guerra, porque para todo lugar que olhava só encontrava gente chorando e
ambulâncias correndo em alta velocidade. Fui ao local do acidente, pois sabia
que minha irmã, filha e meu neto tinham ido ao Centro. Quando cheguei lá,
recebi a pior notícia da minha vida”, relatou.
Com
uma camiseta com fotos da filha e do neto e com olhos inchados remetidos ao
choro, Francinei narra uma série de problemas que surgiram na vida dela após
aquele acidente.
“Quando
perdi minha filha e neto, a minha vida acabou. Precisei ir a psicólogos e tomar
remédios controlados para dormir. Além de ter parado de trabalhar. Hoje olho
para trás e percebo que a dor ainda se encontra aqui. Sinto muita saudade
deles. Essa ferida nunca será sarada”, disse com os olhos cheios de
lágrimas.
A
mãe de Quézia até fala que recebeu indenização da empresa responsável pelo
caminhão, mas destaca que dinheiro nenhum pode trazer a filha de volta.
“Eu
realmente trocaria todo o dinheiro do mundo, para ter minha filha e neto de
volta. Mas como não posso fazer isso, luto para que possamos receber a
indenização referente a morte do meu neto, porque o pai dele apareceu e pediu
um teste de DNA. O da Quézia nós já recebemos”, destacou.
‘Cheguei para enterrar’
A
saudade dos pais é algo que está presente na vida de Larissa Pires, 31, desde o
dia 24 de março de 2014. Ela perdeu o pai João Pires, 59 e a mãe Clarissa
Pires, 75, durante o acidente. Utilizando uma medalha dourada com a foto dos
dois, ela conta o que mudou desde aquele dia.
“Falei
com os meus pais meia hora antes do acidente. Estava no Rio de Janeiro e eles
estavam de férias aqui em Manaus. Pedi que quando eles chegassem em casa nos
ligassem, mas isso nunca aconteceu. Com o passar do tempo, começamos a nos
desesperar, entramos na internet e ficamos sabendo do acidente. Naquele momento
sabíamos que tinha acontecido algo”, lembrou.
Mesmo
com a perda, a jovem agradece a Deus pela oportunidade de ter aproveitado o
mais tempo possível com os pais. “A minha vida acabou quando eles morreram,
porque vivia para ser a filha deles. Nunca me importei em estudar ou coisa do
tipo, mas sim em cuidar dos meus pais”, completou Larissa.
A
esperança da filha do casal é o encontro com eles o mais breve possível. “Acho que nunca vou falar desse assunto sem
chorar. Sonho muito com eles e tenho certeza que um dia os verei novamente”,
disse.
‘Não entendo’
Rosângela
da Cunha, mãe do motorista do micro-ônibus Robert da Cunha Moraes, 27, comenta
que apesar do tempo ainda não entende o motivo de ter perdido o filho.
“A
ferida pode até amenizar, mas para sempre o vazio dentro de mim vai existir. Me
sinto mutilada, porque perdi meu filho no trânsito e ele era um profissional
muito responsável. Ele era muito jovem. Mas perdi tudo isso”, afirmou
Rosangela, acrescentando que ainda luta da Justiça para receber a indenização.
“Espero
que tudo se resolva, porque meu filho não pode voltar”, finalizou.
Fonte/Foto: Amanda Guimarães – A Critica

Nenhum comentário:
Postar um comentário