A LENDA DO MUIRAQUITÃ
As pedras verdes ou pedras das Amazonas prende-se a lenda das
mulheres guerreiras que na foz do Rio Jamundá atacaram Orellana e seus
companheiros.
O
muiraquitã é um fetiche de pedra dura que os índios traziam pendurado ao
pescoço, é um dos achados que mais despertam curiosidade desde os primeiros
cientistas exploradores da calha do Rio Amazonas e seus afluentes.
Os
pequenos talismãs eram esculpidos em vários tipos de pedra dura, dentre as
quais o jade, rocha de que não se registra jazidas na região amazônica. Esta
pedra semipreciosa era caprichosamente polida, ostentando a forma de rã, peixes
e outras formas zoomórficas eram transformados em pingentes (pendant tiff)
muito estimados pelas populações indígenas pré-Orellana.
Sua
ocorrência estendia-se por toda bacia da amazônica, caribe e altiplano andino.
O
viajante italiano Osculati, descendo o Rio Napo por volta de (1847-1848), notou
a presença de machados de pedra verde entre os índios que encontrou pelo
caminho.
A
maioria dos muiraquitãs da amazônia são proveniente do Baixo Amazonas onde
estavam concentrados o principal polo de confecção:
1-Rio
Nhamundá, no município de Faro onde tradicionalmente foi o local da morada das
Amazonas, famoso pelo Lago Espelho da Lua local no qual os muiraquitãs eram
formas vivas que petrificavam ao serem retirados das águas e colocados ao
simples contato com o ar, Nhamundá, Ubim e Terra Santa foram os lugares que
estavam assentados as aldeias indígenas mais densamente povoadas.
2-Rio
Tapajós, áreas geográficas das culturas Tapajós-Santarém e Konduri. Onde
atualmente fica a cidade de Santarém e as Vilas de Belterra, Pindobal, Aramanai
e Alter do Chão (eram os aldeamentos primitivos).
3-Rio
Trombetas: Oriximiná (aldeia primitiva).
4-Rio
Amazonas, em Parintins e Óbidos (Aldeias primitivas).
ESPELHO
DA LUA E A PEDRA VERDE DAS AMAZONAS
Entre
os anos l873 a 1874 Barbosa Rodrigues foi aos rios Nhamundá e Trombetas visitar
a terra das Icamiabas para procurar os amuletos Muyraquitã. Encontrou-os
amplamente espalhados no Rio Solimões e no alto Rio Negro Lendas de diversas
etinias recolhidas por Barbosa Rodrigues.
Espelho da lua - Yacy-Uaruá - (Rio Yamunda)
Dizem
que nas fontes onde nasce o Rio Yamundá, na Serra Yacy-Taperé, há um formoso
lago consagrado a lua, denominado Yacy-Uaruá.
Que,
anualmente, em certa fase da lua, as Ikamiabas que na Serra habitavam faziam,
em determinada época, uma grande festa, consagrada a lua e a mãe do muyraquitã,
que habitavam no fundo do mesmo lago.
Dias
depois de continuada festa, na ocasião em que as águas estavam lisas e a lua
nelas se refletia as Ikamyabas que estavam em torno do lago, nele se
precipitavam, e mergulhando iam ao fundo receber das mãos da mãe do muyraquitã,
os preciosos talismãs, com as configurações que desejavam. Recebiam ainda
moles; porém, logo depois, que saiam da água endureciam ao entrar em contacto
com o ar. Com essas pedras presenteavam elas aos homens com que se
relacionavam.
Outra versão do Espelho da lua
Os
velhos contavam, que no nosso princípio as mulheres em certo dia do mês e pela
lua nova, jejuavam e depois faziam uma grande festa (com danças) e depois iam
para a margem do lago e quando este ficava, como um espelho, e refletia a lua,
todas mergulhavam e iam pedir um muyraquitã a sua mãe.
A
mãe do muyraquitã dava-lhes em todas as formas, tais como de sapo, de machado,
tartaruga, redondos em diversas cores esverdeadas.
Quando
estavam na água eram moles e quando elas saiam ficavam duras como pedra. e Rio
Branco fazendo parte dos mitos de Jurupari. O seu livro "Muyraquitã e os
ídolos symbolicos" em dois volumes na segunda edição, é um exaustivo
trabalho com mais de 500 páginas que mostram
analogias
linguísticas entre chinês, japonês, sânscrito e alguns dialetos falados por
índios sul americanos sobre a palavra "muirakitã". Afirmou ainda que
a pedra verde era uma prova palpável e autêntica da presença de orientais que
através do oceano Pacífico, chegando às costas da Califórnia; atravessaram o
México; e a América Central trazendo pedras de jade. Na Amazônia os ousados
emigrantes fizeram duas rotas para penetrar na amazônia: a costeira e a subindo
pelo Rio Orenoco. Parece
difícil
e impossível a vinda de asiáticos para a América, por mar. Não o é, porque
ainda hoje vão dar a Califórnia os juncos chineses. Só entre l782 e 1850
quarenta e oito destes barcos com velocidade de até 12 milhas hora chegaram
rapidamente no litoral da Califórnia. (Sr. Brookes citado por Barbosa
Rodrigues).
LENDAS
DE DIVERSAS ETINIAS RECOLHIDAS POR BARBOSA RODRIGUES
Fonte/Foto: Revista Via Amazônia


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